O silêncio das palavras

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Fotografia © Chirobocea Nicu | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Chirobocea Nicu | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Às vezes, o que sentimos não precisa de palavras. Às vezes, o que sentimos é, só por si, suficiente. Às vezes, o que sentimos não precisa de grandes discursos todos os dias, nem de datas comemorativas. Às vezes, o que sentimos basta: tão simples quanto isto.

Quem nunca sentiu – a queimar na pele – aquela velha expressão de que «um olhar vale mais do que mil palavras»? Quem nunca morou, no maior dos silêncios, dentro dos olhos de alguém? Quem nunca sorriu, sem palavras, perante aquele sorriso que ameaça concretizar todos os nossos sonhos? Quem nunca esperou, em silêncio, por aquele abraço apertado que é capaz de resolver tudo? Quem nunca correu para os (a)braços de alguém, com esperança de que o silêncio, no meio daquele corpo, possa curar tudo?

Porque, às vezes, o que realmente importa está entre as palavras: nas pausas, na respiração, no pestanejar, no movimento mais pequeno dos nossos lábios quando não dizemos absolutamente nada. Porque – quase sempre – o que realmente importa não é o que dizemos, mas as mil coisas que deixamos por dizer: os desvios de olhar, os sorrisos furtivos, os movimentos das nossas mãos para ninguém perceber que estamos a tremer. Porque o que realmente importa está – sempre – no meio dos segredos do silêncio.

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CATARINA ANDRADE, a psicóloga a bordo
Tem 27 anos. É psicóloga de formação e assistente de bordo de profissão. Sempre gostou de escrever e, se lhe perguntarem, não se lembra de quando o começou a fazer. Como sempre foi muito crítica para consigo própria, deitava fora quase tudo o que escrevia. Agora, vai-se deixar disso. É este o desafio.