Ser e ter uma irmã

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Fotografia © Seth Doyle | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Seth Doyle | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Quando nos perguntam o que é ter uma irmã, nem sempre temos resposta. É difícil descrever os laços que unem duas pessoas do mesmo sangue, quando a sentimos uma extensão de nós.

Podíamos chamar-lhe amor, mas seria limitado. Ser mais que amor é ser irmã, é ter uma irmã. Todas as palavras que possa escrever são poucas. Ter uma irmã é ter um extra “eu”. É complicar a vida uma da outra. É facilitar a vida uma da outra. É odiar e amar. É chatear e ser companheira. É andar à porrada e abraçar às escondidas. Ser ou ter uma irmã é a oposição dos sentimentos e das atitudes momentâneas, sendo sempre o amor a razão de todas elas.

A preocupação, a cumplicidade, os códigos secretos, a linguagem visual, o orgulho recíproco e o sofrimento são os motivos que nos unem. Tenho a certeza de que existem irmãs que não são de sangue e que são irmãs por todos estes motivos. Mas aquilo de que tenho mais certeza é de que não vivia sem a minha. Não é a melhor de todas porque tem mau feitio e não faria sentido uma irmã elogiar outra assim de borla, mas não a trocava por nada no mundo a não ser pela minha própria vida.

As irmãs podem ser mães no caso das mais velhas, mas serão sempre umas péssimas mães. As irmãs só nasceram para ser irmãs e ponto final. Pensando bem, as irmãs podem ser uma mistura de mães com avós — são protetoras e preocupadas, mas dão tudo o que podem e o que não devem, muitas vezes.

Irmãs podem ser réplicas em miniatura de nós mesmas (física e psicologicamente). Damos por nós a pensar «onde é que eu já vi este filme?». Tentamos e muitas vezes conseguimos compreender o que sentem, o que querem, do que precisam e impedimos que caiam nos mesmos erros. Devo confessar que quase nunca resulta, e ainda bem que assim é, para poderem crescer com os erros e pensarem que nos deviam ter dado ouvidos.

Ter uma irmã é ter outra vida, é amor maior e gargalhadas em sintonia.

Este foi para ti, Carminho.

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RITA GONÇALVES, a filósofa
25 anos. Mais 5 do que 20. Formada em Filosofia pós-graduada em Marketing e Comunicação Digital. A sua formação é tão distinta como os seus talentos. É muito mais sentir do que ser, uma Balança numa constante procura pelo equilíbrio. Tem no silêncio a sua melhor arma contra a ignorância do mundo. Tem nas palavras escritas a chave para a sua melhor expressão. Tanto prefere o sol, o mar e alguém para amar, como o inverno, a lareira e um chocolate à cabeceira. A Rita é mistério, pensamento e amor.