Mora alguém aí, nesse coração?

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Fotografia © Toa Heftiba | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Toa Heftiba | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Truz, truz!

Mora alguém aí, nesse coração? Sabes, é que não sinto a respiração dessa alma. Há dias em que julgo que o teu coração anda numa constante viagem. Que anda por aí, perdido. Voando de ninho em ninho, sem saber onde poisar. Fugindo de paixões que não entende. Escondendo a verdade, que sente.

Será que tu não percebes que tens que deixar o teu coração falar? Que tens que deixar que ele diga o que sente? Que não podes viver eternamente nesse silêncio?

Explica-me por que razão continuas a calá-lo, não lhe dando a oportunidade de amar quem ele deseja.

Não tenhas medo do amor. O amor não te faz mal. O amor só te completa. Ele precisa de ti e tu não vives sem ele. Se abrires essa porta que está trancada por dentro, a porta que tu fechas compulsivamente; se deixares que esses fantasmas se soltem, vais descobrir que existe um mundo lá fora. Vais descobrir que é nesse mundo que encontras o sentido para a tua vida.

Não queiras fazer da tua vida uma prisão. Não deixes o teu coração ficar fechado numa gaiola. Dá-lhe asas. Deixa-o sonhar. Deixa-o viver.

Espreita pela janela da tua alma. Vê o mundo à tua volta. Sente o cheiro dos teus sentimentos. Eles pairam no ar que tu respiras. Inspira o perfume dessa paixão, que escondes nas entranhas mais profundas do teu corpo.

Vais descobrir, aos poucos, como é bom sentires que estás viva. Vais sentir na barriga o bailado das borboletas, quando elas dançarem a dança das emoções. Vais sentir o atrevimento a soltar-se com a tua respiração.

Tudo te vai parecer desconhecido, mas é esse o frio provocado pela tentação, daquilo que não conheces e que te vai dar calor ao corpo. Vai fazer-te sentir que estás a arder de paixão. Descobrirás a beleza do amor e a pureza existente no desejo. E não mais quererás outra coisa.

Vai. Entrega-te ao amor. Deixa que seja o amor a comandar a tua vida.

Abre-lhe a porta sem demora. Não deixes que o tempo passe por ti sem o gastares. O tempo de amares tem um prazo de validade e, se o deixares passar, nunca mais o vais recuperar.

Truz, truz! Abre a porta, porque o amor quer entrar…

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.