A ti, Santa Cruz

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Fotografia/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Do Penedo do Guincho, o seu ex-libris.

Do areal extenso e dourado, que nos oferece as mais belas praias, de Porto Novo a Assenta, salpicado de cores das suas barracas de praia listadas.

Das suas altas escarpas, ricas em iodo, que nos dá um “bronze” de fazer inveja o ano inteiro.

Do mar frio, que nos congela os ossos, assim que os pés tocam num pequeno floco de espuma deixada por uma onda acabada de rebentar na areia, um mar bravio que nos torna experientes e nos ensina a respeitá-lo, tornando a sua bravura a nossa bravura.

Das eternas manhãs de nevoeiro.

Dos namoros junto à praia, do convívio de amigos no areal, em torno de uma fogueira, entre canções e guitarradas.

Do aeródromo, onde muitos fazem o seu batismo de voo, ou onde os aviões sobrevoam as praias com faixas publicitárias ou personalizadas, como um «Parabéns» ou um «Casa comigo».

Do eterno Living, da Torre e do seu bar/discoteca, das loucuras de verão, das bebedeiras nos bares, que terminam quase invariavelmente com alguém a dormir na praia ou dentro de um carro, ou, quantas vezes, também numa sessão de sexo escaldante no banco de trás ou em plena praia.

Do seu mercado, cheio de vida, cor e cheiros intensos e gentes calorosas.

Do grandioso parque de campismo, onde tantos têm a sua segunda casa e onde tantos jovens encontram as suas primeiras paixões.

Das típicas casas baixas e brancas, de telhados vermelhos.

Do local de eleição da famosa, misteriosa e solitária, Dina Pereira.

De poetas como Antero de Quental, que descansa no seu banco em frente ao mar, onde se sentam tantos adultos e crianças em pose para a fotografia, a João de Barros ou ao japonês Kazuo Dan, com o seu memorial em pedra.

Da poesia que se sente ao admirar o pôr do sol, sentado num dos seus célebres bancos vermelhos e brancos, que se estendem ao longo da arriba, cobertos pelos seus toldos feitos de ripas, e sentir a brisa que nos envolve e no faz percorrer um arrepio na espinha, de felicidade.

A ti, Santa Cruz, que amo.

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CARLOS DINIZ, o idealista
É informático, mas as letras também o assistem. Adora ler. Lá porque esta é a sua primeira experiência na escrita, não se deixa intimidar. Os desafios são para isso mesmo. Amante do que é natural, aprecia as coisas boas da vida. Acredita que «os sonhos comandam a vida» — e, aqui entre nós, comandam mesmo.