Quero aquele que chega e permanece

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Fotografia © Daniel Bowman | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Daniel Bowman | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Quando algum rapaz me pergunta se tenho namorado e eu respondo que não, fica admirado e questiona-me: «Como é que uma rapariga como tu não tem namorado?» E eu respondo: «Exactamente por ser como sou é que não tenho namorado.» Fica confuso, pois para ele os atributos físicos seriam suficientes para não estar solteira. Pelo contrário, são todos os meus outros atributos que me fazem decidir estar solteira.

Durante muitos anos, culpei-me por não conseguir manter um relacionamento, por ser problemática, por não conseguir estar com ninguém muito tempo.

Hoje, após análise desses relacionamentos, sei que fui fraca, frágil e carente ao permitir que cada um deles entrasse na minha vida. Mas também sei que, depois, fui forte e decidida sempre que nenhum desses relacionamentos correspondia ao meu ideal de relação.

Uma pessoa que não me permite ser como sou, que não respeita as minhas opções, que não me liga ou manda mensagens, que me trai, que me maltrata, que não se preocupa, que me agride psicologicamente, que desaparece por uns dias… não me merece.

Percebi porque atraía este tipo de relacionamentos. Percebi que eu própria não me respeitava. Eles refletiam o meu comportamento para comigo. Não tinha autoestima. Não gostava de mim. Percebi que estava carente e procurava relacionamentos para que me valorizassem e me amassem. Percebi esta minha tendência de vida. E, só quando percebi isso, escolhi estar sozinha. Só quando deixei bem claro na minha cabeça o tipo de relacionamento que quero na minha vida, não permiti que mais ninguém entrasse.

Não vou estar com alguém para não ficar sozinha. Não vou estar com alguém porque quero ter filhos e os anos passam. Não vou estar com alguém porque fica bem para a sociedade.

Não deixarei ninguém entrar até encontrar o verdadeiro amor. Aquele que chega e permanece; que fala, mesmo que em silêncio; que escreve, mesmo que sem palavras; que abraça e beija com todos os sentidos; que se preocupa; que respeita; que partilha; que ama com todo o seu coração e que deseja para sempre.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.