Serei bom o suficiente?

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Fotografia © César Silva | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © César Silva | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Quero desistir do meu sonho.

Quero deixar de percorrer este percurso e não tirar o lugar de outros que realmente trabalharam para isso, que realmente estudaram. Amo a escrita, confesso. Quero fazer da escrita a minha vida – amo criar mundos, usando a minha própria imaginação, mas… Não sei… Talvez me desmotive facilmente…

Não tenho bases. Não tenho curso. Não tenho nada a não ser a minha própria mente. Não sei controlar.

Serei bom o suficiente? Serei capaz de viver um sonho?

Quando escrevo, imagino um roteiro, personagens, paisagens, magia, amor, terror, traição… Tudo vem de mim e sinto que esse tudo permanece preso. Não me sinto confiante para avançar e, às vezes, pondero se realmente irei conseguir… Sei que tenho de lutar. Porém, acho que ainda vivo no Mundo da Fantasia, tal como quando escrevo.

Sonho com o lado bom de todos e deparo-me com o lado mau. Grito em maldade e arrependo-me momentos após. Quero e não quero. Quente e frio. Panela e chão.

Não faz sentido. Eu não faço sentido.

Quero reconhecimento e livros editados. Quero fama. Serei ganancioso? Não quero ser ganancioso. Larguei todas as minhas oportunidades pela independência e, agora, quem sou eu? Ninguém. Limito-me a um trabalho de recepcionista num hotel, sabendo que poderia ser algo melhor, sabendo que poderia ter percorrido estudos (escrita criativa, claro), vivenciado as festas da universidade ou até mesmo a viagem de finalistas.

Canso-me de tudo tão rápido… Menos da escrita.

Eu sei que tenho um dom. Eu quero que este dom seja reconhecido, mas não sou egocêntrico.

Será que, se tentasse editar um livro, se iriam rir da minha cara ao verem a minha biografia na capa?

«Não tem curso? Triste.»

«Não tem bases. Não vamos editar o teu rascunho.»

Por isto, eu paro. Por isso, por vezes, não escrevo. Estou em baixo, desmotivado.

Sei que poderia ter ainda tudo isto, mas rasguei todas as possibilidades. O que faço agora? Estou destroçado.

«Achas que conseguirias editar um livro e ter reconhecimento como aqueles que estudaram para isso?» Perguntaram-me isto e concordo. É verdade. Claro que não!

Não quero tirar o lugar de ninguém, mas quero pertencer. É o meu sonho. Por mais parvo que seja, é o meu sonho.

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CÉSAR DA SILVA, o independente
Gosta de gelados - muitos gelados! Diverte-se com pouco e cansa-se da rotina facilmente. Gosta de rir e, acima de tudo, de escrever. Sente aquilo que escreve e imagina tudo num mundo totalmente diferente, criado na sua própria mente. Tem 22 anos e sempre conquistou a sua independência. Adora boas séries e bons filmes. É viciado em entretenimento. Escreve aquilo que sente e gosta de dar asas à sua criatividade.