Às mulheres difíceis de amar

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Fotografia © Agberto Guimaraes | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Agberto Guimaraes | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Nunca sejas a rapariga que fica sempre, por mais merdas que ele te faça. Mas também não sejas aquela que o deserta à primeira tempestade. Todos cometemos erros, não é verdade? Sê a rapariga que o faz não querer errar, nem te falhar. Sê a rapariga que bate o pé e que o avisa quando ele está a ser uma besta. Mas nunca, nunca sejas a rapariga que fica sempre, porque dessas não se faz história. Sê a mulher que lhe mostra o quanto ele não seria capaz de passar sem ti.

Sê tu mesma, sempre: deixa-o ser-se também. Só assim é que poderão ser os dois juntos. Não sejas a prisão que o acorrenta em casa, mas, sim, as asas que o movem por todo o mundo. Melhorem, um com o outro. Superem-se. Não tenham medo de passos em falso, porque até esses fazem parte do caminho. Mas nunca, nunca sejas a rapariga que fica sempre, porque é essa que ele esquecerá depressa. Sê a que lhe vira o mundo do avesso, mostrando-lhe que o lado certo será sempre aquele que te tem presente.

Ama-o incondicionalmente, mas não te deixes cegar. Não é o amor que é cego, as pessoas é que o são. Respeita os seus vícios e as suas manhas irritantes, mas chama-o sempre à atenção — não te esqueças. Aceita-o como ele é, aceita-o pelas falhas que fazem parte de si, mas não aquelas que te magoam e que te sangram. Essas não têm lugar aqui. Vocês conseguem superar isso, se se mantiverem juntos. É isso que basta, afinal — eu sei, até é simples.

Mas nunca, nunca sejas a rapariga que fica sempre, enquanto ele te fere, vezes sem conta. Enquanto ele te promete o mundo, mas nem a mão te dá quando mais precisas. Não sejas essa rapariga, porque essa nunca será a mulher da vida dele. E tu és uma mulher demasiado mulher para seres menos que isso.

Sê a que o faz desesperar, mas também a que o abraça com mais força. Sê a que lhe confunde e troca as voltas todas, mas também a que faz tudo valer a pena. Dá-lhe as razões todas para ele jamais julgar que perder-te seria um alívio. E que uma vida sem ti seria um autêntico descanso. Dá-lhe as razões todas para ele temer qualquer realidade em que tu não estejas.

Não é fácil amar uma mulher assim, eu sei. Sê a que o faz amar-te na mesma, mesmo assim.

Mas nunca, nunca sejas a rapariga que fica sempre, de qualquer maneira, só por ser ele. Antes de seres a mulher da vida dele, és a mulher da tua — e ele tem de ser homem o suficiente para fazer parte dela. Nunca sejas a rapariga que se contenta só por tê-lo: sê a que o mostra que ele tem de continuar a fazer por isso. Não sejas a que fica sempre, apesar de tudo. Sê aquela que o faz merecê-lo. Alguém que luta e que vai à guerra, se for preciso. Alguém que não te trate nem como garantia, nem como opção, por te querer simplesmente por tudo.

E nunca te esqueças: sê a mulher que merece um homem assim.

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DANIELA ROSA, a que nunca se cala
Escreve desde que se lembra. Quiçá, por sempre ter sentido que um só mundo não lhe bastava. Portanto, é isso que ela faz, é isso que ela é: ela escreve. De si e para vocês, que a leem. Talvez, um dia, ela seja mais. Até lá, palavra a palavra, há de alcançar o seu sonho: o de, finalmente, se encontrar… Quem sabe? Pelo caminho, pode ser que a encontres: a sonhar, a escrever e a acreditar.