Pelo menos, vivi

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Fotografia © Valeria Boltneva | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Valeria Boltneva | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Chegamos a um momento em que queremos ter a certeza antes de investirmos. Não falo do investimento financeiro. Falo do investir numa nova relação, num novo projeto, numa nova descoberta, num novo livro, num novo curso, num novo emprego, num novo sentir.

Esse investir dá medo. Principalmente, hoje, em que pensamos tanto, racionalizamos tanto e complexificamos tanto.

Queremos ter a certeza do que vai acontecer antes de investirmos. Queremos ter a certeza de que aquela é a pessoa certa, antes de dedicarmos tempo a conhecê-la. Queremos ter a certeza de que aquele é o emprego certo, antes de investirmos o nosso tempo e a nossa energia nele. Queremos ter a certeza de que aquele curso nos vai dar aquilo que queremos, antes de investirmos. Queremos ter a certeza de que aquele caminho é o caminho certo.

Simplesmente, queremos ter a certeza.

Mas, enquanto estamos a tentar ter a certeza… a vida não para, as oportunidades não esperam, as pessoas não ficam. Por vezes, podemos estar anos até ter a certeza. O engraçado é que esse ter a certeza nunca é suficiente. Parece que nunca chegam as condições certas para se ter essa certeza.

Esta necessidade de certeza, que hoje temos, tem por base o medo: o medo de falhar, o medo de sermos ridículos, o medo de não conseguirmos, o medo de perdermos dinheiro, o medo de não gostarem de nós, o medo de levarmos um não, o medo de magoarmos o coração. Medo.

Pedimos tanto à vida que nos traga aquilo que queremos, mas normalmente não estamos dispostos a dar de coração primeiro.

Por isso, antes de tudo dar certo, é preciso:

  1. Fechar os olhos.
  2. Confiar que alguém nos vai suportar.
  3. Dar o passo.
  4. Abrir o coração.
  5. E continuar a avançar…

Mesmo não sabendo o que vou ganhar, mas tendo a certeza, dentro do meu coração, de que, pelo menos, vivi. Mesmo com medo, vivi.

Um beijo enorme e até já!

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LÍGIA SILVA, a coach
Ela é autêntica, mulher e, acima de tudo, humana. Adora falar e escrever de coração para coração. Tem como principal paixão a descoberta da mente humana e adora que esta viagem seja feita com sentido de humor e com uma boa gargalhada. Acredita na simplicidade da vida e na possibilidade de cada um de nós fazermos aquilo que mais nos preenche.