Momentos de ternura

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Fotografia © Vladimir Kudinov | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Vladimir Kudinov | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Hoje, ao acordar, abri as cortinas e, ao olhar pela janela, vi um grupo numeroso a dirigir-se para a passadeira para atravessar a estrada. Rapidamente percebi que certamente seria mais um grupo de turistas recém-chegados do estrangeiro. Lá iam eles, uns atrás dos outros, em direção ao hotel, onde provavelmente dariam início ao planeamento de mais uma excursão, enquanto refrescavam e atenuavam a sede, que os acompanhara na viagem.

Novos, velhos, de varias idades e nacionalidades, protagonistas de um cenário que já vi centenas de vezes, quando casualmente espreito pela janela do quarto ao levantar-me. No entanto, esta repetida novela, desta vez, prendeu-me o olhar e fez-me ficar por uns minutos a contemplar um momento, a meu ver, no mínimo apaixonante.

No meio de tanta gente, destacava-se um casal, que mais lentamente os ia seguindo, aí com os seus 60 ou 70 anos. Com um sorriso nos lábios, conversando e olhando curiosamente para tudo o que os rodeava, de mão dada. Foi este último pormenor de ternura que me deixou presa à janela. Desapareceram para dentro do hotel e voltei em direção à cama, onde novamente me sentei a olhar para ti, ainda aninhado no sabor do sono matinal, e te falei em silêncio, no meu pensamento, para não te acordar:

— Quando formos daquela idade, também quero continuar a andar contigo de mão dada.

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HELENA ISABEL, a misteriosa
Nasceu em dezembro de 1983. Diz-se uma «exploradora da vida». Gosta de ler, de escrever e de pintar. Não da pintura dos guaches e dos pincéis. Mas da pintura com as palavras. É apaixonada, irreverente e sensível a tudo o que a rodeia. Prefere um segundo de realismo a uma eternidade de sonhos.