Imagino!

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Fotografia © Antonina Bukowska | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Antonina Bukowska | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Imagino. Imagino que não seja nada fácil ser “eu”, e manter essa personagem até ao fim. Imagino que seja difícil para quem não se conhece, não se ama, não se vê ao espelho, não se goste de ver, não se confie, não se encontre naquilo que é ou que é suposto ser.

Imagino. Imagino uma vida sem cor. Sem brilho. Sem luz própria. Sem amor próprio. Não é vida. Ninguém pode chamar isso de vida. A vida começa quando gostamos de ser quem somos. Gostamos de gostar de nós próprias. Gostamos de existir. Gostamos e deixamos que o mundo nos veja e goste do que vê.

Confuso? Talvez. No entanto, bem difícil para muitos de aceitar. Para mim própria já foi. Há momentos em que não nos vemos. Não nos aceitamos. Não queremos ser quem somos. Não deixamos que nos gostem. Não nos permitimos brilhar, rir, viver rodeados de gente que nos quer.

Que esses momentos sejam poucos, quase nenhuns. Que a vida nos permita sempre cair e levantar. Chorar e, logo a seguir, sorrir. Gritar e, de seguida, sussurrar. Odiar e amar o próximo e, acima de tudo, nós próprios.

Imagino!

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.