Geração “da moda”, influências e discriminação

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Fotografia © Ryan McGuire | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Ryan McGuire | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Padrão de beleza e comércio

Nos dias de hoje, a inclinação da sociedade para as questões relacionadas com o aspeto é mais do que evidente. Quer seja no nosso grupo de amigos ou num local público rodeado de desconhecidos, notamos que cada vez mais as pessoas se deixam, inconscientemente, influenciar pelas exigências que compõem o padrão de beleza atualmente aceitável.

As mulheres, que já adoravam moda, cada vez se maquilham mais e os homens, por norma mais despreocupados com estas questões, também começam a investir em produtos de cosmética.

Obviamente que, para acompanhar as necessidades do consumidor, algumas marcas tiveram de se ajustar. E, se anteriormente apenas vendiam roupa, agora dispõem de acessórios, maquilhagem, cosmética e até perfumes.

Estamos então inseridos numa geração que tem brio na sua imagem (independentemente da idade) e que se deixa levar, um pouco, pelo desejo de consumo e pelos cuidados do aspeto físico. Mas atenção! Não pretendo com este texto fazer qualquer tipo de crítica. Trata-se meramente de uma observação e do meu ponto de vista. Até porque também me insiro neste grupo. Portanto, contra mim escrevo.

Desejo de consumo, publicidade e redes sociais

Geralmente, o desejo de consumo surge na sequência do lançamento de novos produtos e/ou tendências que podem acontecer através dos meios normais (publicidade das marcas) ou até através de um(a) blogger ou youtuber (parcerias). Mas a sua relativa frequência exige um equilíbrio e bom senso financeiro, pois, infelizmente, não se pode comprar tudo (falo por mim, mais uma vez). E é muito fácil nos deixarmos levar pelo deslumbramento de um cartaz ou pela review positiva e, mesmo não se tratando de um produto essencial, acabarmos por comprar.

Dado o carisma deste tema, não podia deixar de abordar a rede social “da moda”: o Instagram.

Além de nos permitir seguir os nossos amigos e até a vida de muitas celebridades, esta aplicação torna muitos utilizadores, inicialmente anónimos, em autênticas estrelas e aproxima pessoas com interesses comuns através das hashtags (#). Quer sejam relacionados com moda, maquilhagem, nutrição ou até dicas de fitness, todos nós espreitamos perfis de pessoas que admiramos e que, de certa forma, gostaríamos de ser. Além disso, esta rede social é uma fonte rica de inspiração para quem aprecia fotografia, estando repleta de fotos originais e de boa qualidade.

Limites, influências e discriminação

Sou defensora da ideia de que devemos sempre procurar a nossa melhor versão, tanto a nível intelectual como físico, desde que essa procura parta de nós e não seja levada ao extremo. Quem não gostar de ter uma boa imagem e de se sentir confiante que atire a primeira pedra.

Mas qual é a vantagem de influenciar os jovens, desde cedo, a seguir determinados padrões de aspeto e de comportamento?

Será esta uma das causas desencadeadoras de discriminação e bullying sobre as pessoas consideradas “diferentes” e que são alheias às tendências e às modas? Há quem goste de criar o seu próprio estilo e há também quem, por questões financeiras, não as possa seguir.

É uma questão longa e controversa que permitia divagar imenso e dividir opiniões. Mas por agora as questões que vos coloco são:

  • Será bom perseguirmos todos o mesmo?
  • O que tem de errado criar a sua própria moda/estilo?
  • Qual seria a piada se nos tornássemos todos iguais?

Permitam que a empatia prevaleça e deixem os julgamentos para nunca

Antes de depreciarem os outros meditem sobre as questões acima, façam uma análise sobre vocês mesmos, interna e externamente. Se nos achássemos perfeitos, ou se não nos comparássemos uns com os outros, não tínhamos esta necessidade incessante de melhorar. É importante começar a mudar esse tipo de pensamento. Ser diferente é ser desenfadado, é ser único.

Por essa razão termino o texto enfatizando a ideia de que devemos melhorar, sim, mas sem obsessões e, mais importante, apenas para nosso benefício e não por imposição dos outros.

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ELISABETE PEREIRA, a ensimesmada
Introvertida aspirante a escritora que tende a confiar mais no papel do que nas pessoas. Apreciadora de música que arrepia, trocadilhos e clichés, ela sonha viajar pelo mundo e conhecer lugares que lhe alimentem a inspiração, o saber e a alma.