Vale a pena ficar sem chão

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Gosto de encontrar uma explicação para tudo o que acontece. Um significado. Um porquê. Uma justificação que ajude tudo a ficar no lugar certo. Uma justificação que me ajude, nem que seja por uns momentos, a acreditar que tudo está como devia estar. Um significado, um porquê, uma justificação que me dê a sensação (confortável) de que tudo está sob o meu controlo. Quando, na verdade, nada está. Nada.

E, então, no meio de tudo o que me passa pela cabeça, não consigo deixar de pensar que talvez nada tenha realmente significado e que tudo esteja a acontecer ao maior dos acasos. Imagina: tudo na tua vida – os momentos, as pessoas, tudo o que tens – são meros acasos. Sem um significado. Sem um porquê. Sem uma justificação. Se em algumas situações este pensamento traz um alívio gigante, em outras deixa-te sem chão: afinal, de onde é que vem aquela sensação no peito que não te deixa parar de disparar significados?

Talvez não haja uma resposta certa. Talvez, às vezes, haja significado e, outras vezes, não. Talvez o significado venha com os acasos que ficam com todos os momentos que merecem ficar e ser mais do que isso. Talvez.

Prefiro acreditar, todos os dias, que, cada vez que o meu coração acelera, que os meus olhos brilham e que todos os meus pensamentos parecem certos, vale a pena ficar sem chão.

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CATARINA ANDRADE, a psicóloga a bordo
Tem 27 anos. É psicóloga de formação e assistente de bordo de profissão. Sempre gostou de escrever e, se lhe perguntarem, não se lembra de quando o começou a fazer. Como sempre foi muito crítica para consigo própria, deitava fora quase tudo o que escrevia. Agora, vai-se deixar disso. É este o desafio.