A arte do perdão

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Fotografia © Freestocks.Org | Cartaz @ Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Freestocks.Org | Cartaz @ Laura Almeida Azevedo

Quantas vezes fomos atraiçoados por aqueles em quem mais confiámos, ou os que nós amamos nos desiludem, tendo para connosco atitudes que não esperávamos? Muitas mais vezes do que aquelas de que gostaríamos.

Nessas alturas, o nosso coração enche-se de sentimentos negativos, corroendo-o lentamente. Sentimentos como raiva, deceção, revolta e até ódio estendem-se até às entranhas do nosso corpo, fazendo com que as nossas energias sejam completamente sugadas, e a única coisa que faça sentido é estarmos sozinhos num qualquer canto.

Mas todos nós somos humanos, e isso significa que, em certa altura da nossa vida, deliberadamente ou não, vamos errar, magoar e fazer más escolhas. E isso fará de nós melhores, piores pessoas? Não. Aquilo que vai fazer a diferença será a forma como vamos lidar com esses erros.

Para tal existe um truque, uma arte, ou aquilo que lhe queiramos chamar: o perdão. E, atenção, não se iludam, não é nada fácil pô-lo em prática. Se julgam que é só ligar um botão e dizer «eu perdoo-te», não, não é mesmo de todo assim.

Há que aprender a perdoar o outro, seja um amigo, um colega, um familiar ou até o amor da nossa vida. É um processo demorado e doloroso, na maioria das vezes, mas que vai valer a pena quando atingirmos o nosso objetivo.

Mas ainda mais importante do que perdoar o outro é perdoarmo-nos a nós mesmos! Essa, sim, é a verdadeira arte. Uma vez conseguido, teremos alcançado aquele que é o nosso Santo Graal, a paz de espírito e o amor próprio.

Nunca, de forma alguma, perdoem pelo outro. Perdoem sempre, primeiro, por vocês próprios. Porque para o outro isso pode não fazer qualquer diferença, mas para quem perdoou significará a libertação. E isso não tem preço.

No dia em que aprendermos esta arte, percebermos o poder que existe dentro de nós. No entanto, esta não é uma arte que se aprenda de uma vez só. Ela é uma aprendizagem que recomeça todos os dias, pois só assim ela nos ensinará verdadeiramente aquilo que vale a pena aprender nesta viagem, que é a vida.

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DIANA ROSA, a viajante
Tem 34 anos. Trabalha na área financeira, mas não é isso que a move. A grande paixão — aquilo que a faz vibrar — são as viagens: pelo mundo e pela vida, descobrindo novos lugares, experiências e emoções. Gosta da natureza, de ler, de praticar yoga e de pessoas. Busca ser feliz e realizar sonhos. E este desafio é um passo, inesperado, dado nesse sentido.