Ainda não encontrei o meu caminho

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Fotografia © Raquel Ferreira | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Raquel Ferreira | Design © Laura Almeida Azevedo

Sinto que ainda não encontrei o meu caminho. Ainda não encontrei o que me preenche verdadeiramente, o que me faz voar, o que me faz acordar e desejar que o mundo me abrace com a força que só ele tem.

Sempre acreditei que os caminhos se encontravam quando entrávamos na faculdade. Sempre acreditei que era a partir desse momento que traçávamos aquele que seria o único rumo possível da nossa vida. Esqueci-me que a vida nos troca as voltas. E a mim trocou. Ter saído de casa, ter conhecido uma cidade nova, pessoas novas e realidades novas, desconfigurou, por completo, todos os planos que delineei para mim. Sempre acreditei que iria tirar um curso, arranjar um emprego que me pagasse as contas e, eventualmente, casar e ter filhos. Mas, hoje, sinto que quero algo que me realize. E tenho percebido que, a mim, me realiza muito mais a instabilidade e o não saber de que será feito o amanhã. Hoje, sinto que prefiro o medo de andar nas bordas dos precipícios, a aventura de explorar o desconhecido, a liberdade de viajar sem destino.

Se é fácil? Não, não é. Sempre achei que tinha o meu futuro sob controlo, sempre achei que tudo seria tal e qual eu tinha planeado. E, hoje, ainda não me recompus da queda que sofri por compreender que o melhor plano que tu podes ter para a vida é não fazer planos. Ainda me dói que tudo aquilo, que eu planeei ao pormenor, tenha desmoronado. Tenho vinte e dois anos e estou numa fase em que tive de aprender a desfazer-me de ideias pré-concebidas para aprender a lidar com o inesperado. Mas sei que a vida é feita do agora, é feita do presente, é feita dos sorrisos de hoje e não dos que poderão vir amanhã.

Sinto que ainda não encontrei o meu caminho, sinto que ainda não conheço o meu verdadeiro eu, mas aprendi a melhor lição que a vida me podia ter dado: o amanhã não importa, quando temos tanto para viver no agora.

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RAQUEL FERREIRA, a engenheira
É de uma aldeia perdida no norte do país e ambiciona ser mestre em Engenharia Civil. No percurso, apaixonou-se pelas palavras e escreve. Sobre tudo. Sobre nada. Ainda não é tudo o que quer ser, mas luta todos os dias por isso.