Porquê abandonar o conforto do meu sofá?

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Fotografia © Annie Spratt | Edição/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Annie Spratt | Edição/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Estou a terminar de fazer a mala, para me ausentar por um mês e tal. Ausentar-me do meu trabalho, do conforto do meu sofá, da humilde terra que me acolhe.

Vou fazer uma formação em França. Uma formação, que ambiciono desde 2009, para enriquecer o meu currículo. Finalmente surgiu a oportunidade. Acredito que tudo tem uma hora para acontecer. E, agora, reuniram-se todas as condições para eu finalmente ir.

Mas porque me sujeito eu a sair da rotina, à chatice de fazer uma mala, apanhar vários transportes, adaptar a uma nova vida, um novo país, uma nova casa, conhecer novas pessoas? É mais fácil ficar, deixarmo-nos ir ao sabor da corrente. Dá trabalho tratar de burocracias, comprar viagens, procurar casa, adaptarmo-nos a uma nova vida. Que depois passa num ápice.

Mas não é a ficar no conforto do meu sofá que vou concretizar os meus sonhos. Isso é certo. Porque concretizar sonhos requer esforço, determinação, paciência, ação. E porque hei de eu limitar-me a uma terra, a um trabalho, a um país, quando o mundo é uma imensidão e eu tenho um potencial enorme por expandir?

Estou cansada de fazer a mala, de andar de um lado para o outro, mas a recompensa é tão maior. Sou tão mais feliz a enriquecer os meus conhecimentos, a aprender coisas novas, a conhecer pessoas, lugares, culturas.

É difícil deixar o conforto do sofá, mas deixo-o com a certeza de que, quando voltar, volto mais rica. Não rica em dinheiro, pois esse vou usá-lo para aproveitar ao máximo. Mas rica em vivências, conhecimento e felicidade.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.