É como criar dias de sol nos dias de tempestade

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Fotografia © Catarina Andrade | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Catarina Andrade | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

É quase como deixar que os meus dedos deslizem pelo teclado e criem qualquer coisa. É isso. É como criar. É como criar dias de sol nos dias de tempestade ou, então, dar aos vilões a dignidade suficiente para conseguir sentir falta deles. Acho que é o mais parecido, que conheço, com um mundo encantado, daqueles que não existem. É como se me sentasse em frente ao computador e procurasse inspiração no fundo de mim, naquilo que eu sinto ou já senti, mas depois virasse tudo ao contrário.

E viro mesmo tudo ao contrário. Experimento ver o meu mundo do avesso, enquanto sei que nada do que crio é verdade. Só quero tentar perceber como seria tudo de outra forma, se eu tivesse mesmo que estar num papel que não deveria ser o meu. Só para aquele acaso improvável de o meu papel, realmente, mudar.

Até lá, vou-me rindo, porque, no final de contas, é só mais uma brincadeira. Até ao dia.

Até ao dia em que acordas com a vida do avesso, num papel que não é o teu – nem devia ser o de ninguém -, e percebes que imaginar poder ser mesmo fantástico. Tão fantástico que (quase) se torna fácil perceber, depois, o que aí vem.

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CATARINA ANDRADE, a psicóloga a bordo
Tem 27 anos. É psicóloga de formação e assistente de bordo de profissão. Sempre gostou de escrever e, se lhe perguntarem, não se lembra de quando o começou a fazer. Como sempre foi muito crítica para consigo própria, deitava fora quase tudo o que escrevia. Agora, vai-se deixar disso. É este o desafio.