A minha caravana mágica

Texto vencedor | Desafio de escrita: «A caravana»

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Fotografia © Ryan McGuire | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Ryan McGuire | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

O meu maior sonho é viajar pelo mundo. Conhecer outros povos, outras culturas, outras histórias. Sentir outros viveres e saberes. Descobrir a diversidade dos mares e dos continentes.

Sonho que estou a viajar pelo mundo, numa caravana vermelha. Vermelha para que o mundo não fique indiferente à minha felicidade. Vermelho, cor do sangue. Sangue que fará o meu coração pulsar mais rápido, cada vez que concretizar o sonho de conhecer mais um lugar.

Esta caravana é especial, diria mágica. Para além de andar em terra, ela voa e flutua. Para esta caravana não existem fronteiras, não existem obstáculos. Permiti-me ir a qualquer lugar do planeta terra.

Com esta caravana faço o caminho inca e sinto a espiritualidade de Machu Piccu. E, depois, estaciono-a junto à Torre Eiffel, onde estou a comer um crepe de chocolate. Noutro instante, sinto-me pequenina, perante a monumentalidade da cidade egípcia de Tebas. E, nesta mesma caravana, sinto medo num safari em África do Sul.

No momento a seguir, sinto vertigens nos desfiladeiros do Grand Canyon. E, de repente, estou a admirar o pôr-do-sol nas dunas do deserto do Namibe ou estou a atravessar o Salar de Uyuni. Fico sem fôlego perante as cataratas do Iguaçu. E, depois, sentada numa rocha lá no alto, aprecio Petra escavada na rocha, com a luz do entardecer

Estaciono a caravana ao lado do Taj Mahal e consigo sentir o seu romantismo. No momento a seguir, estou a fotografar as pessoas da Índia. Continuo a viagem e já estou em Cuba, a perder-me nas cores vibrantes da arquitectura e dos carros antigos. Oh, já estou perdida nos sons, nos cheiros e nas cores dos mercados em Marrocos. Quando dou por mim, estou a atravessar os canais em Veneza, e a viver um grande amor.

A caravana, de repente, já é um balão e estou a sobrevoar a Turquia. Depois aprendo a história da construção da muralha da China. E depois na caravana, versão caravela, estou a passar ao lado dos icebergues da Gronelândia. Passeio entre os cangurus e os coalas na Austrália. E, no momento a seguir, sorrio para os pinguins na Antártida.

Tão depressa estou a meditar nos mosteiros do Tibete, como a mergulhar nas águas do Bali. A caravana leva-me até Buenos Aires, onde aprendo a dançar o tango. Percorro os parques naturais da Patagónia. Descanso na caravana. Que logo depois me leva a conhecer os recantos da antiga Pérsia. Experimento snowboard nos Alpes Suiços e experiencio as diferentes culturas das tribos de Madagáscar. No Japão perco-me com a imponência do Monte Fuji, com os templos e com as paisagens das cerejeiras em flor.

E… e… e…

Com esta caravana a viagem não tem fim. A viagem continua na minha alma que sonha, no meu coração que deseja, no meu corpo que, pouco a pouco, vive cada um destes sonhos.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.