E, agora, que direção escolhes?

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Fotografia © Dominik Martin | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Dominik Martin | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

A vida… uma linha reta, com um princípio e um fim a atingir. Assim é a vida. Assim deveria ser a vida! Será? Não, não é! E ainda bem que não é, pois só assim podemos experienciar coisas distintas e inventar novas formas de ultrapassar obstáculos e não somente andar a direito em monotonia.

A vida é uma linha, às vezes, reta; outras, curvilínea, com curvas para a direita, curvas para a esquerda, em cotovelo ou suaves. A vida é uma linha com buracos, com pedras pelo caminho, com desafios físicos e psíquicos para transpor.

E, sabes, é neste equilíbrio, mais ou menos equilibrado, que calibramos a nossa vida, que pautamos a nossa existência, que construímos e desconstruímos, vezes sem conta, o nosso ser. E não digas que não, porque tudo e todos estão em constante mudança — os caminhos, as estradas e vielas, o nosso pensamento, a nossa ação, o que somos.

Olha à tua volta, sempre! Nunca olhes só em frente ou só para cima. Olha em três dimensões e acrescenta a isso o sentimento. Sabes que podes a qualquer momento mudar de direção? Sabes que podes andar por auto-estadas, ruas e ruinhas, vielas ou becos, a andar, a correr, ou simplesmente parares para descansar? Para a direita, para a esquerda, para trás ou para a frente, subindo ou descendo? Podes, mesmo assim, ainda virar um pouquinho mais à direita ou à esquerda, um pouquinho mais para a frente ou um pouquinho mais para trás. Já olhaste para uma rosa dos ventos? Já viste tantas direções que podes seguir?

Nada é estático. Tudo muda e tudo pode mudar. Vive com essa certeza de que tudo e todos somos mutáveis. Tens inúmeros caminhos à tua escolha e, a qualquer momento, podes sair deles e lá voltares quando quiseres e se assim o entenderes. Tens imensas direções, rotas para onde podes seguir e vários trilhos que podes percorrer nesta caminhada da vida.

Mas e, no meio de tanta mudança, como saber o que fazer e por onde seguir? Pois, isso ninguém sabe! Vamos, cada um ao seu estilo, descobrindo por nós aquilo que nos faz sentir realizados e é por tentativa-erro que se aprende a distinguir que caminho trilhar, como o fazer e a velocidade com que o queremos percorrer.

«Então, tudo muda», referes-me tu que me estás a ler.

As tuas abordagens sim, mudam. Tu mudas. O outro muda. O mundo muda. Até uma pedra muda. Sim, uma pedra! Altera a sua forma pela ação da erosão, e até de sítio e posição muda, basta, por exemplo, lhe dares sem querer um pontapé e aí vai ela aterrar em outro local e noutra posição.

Mas sabes o que nunca pode mudar? A tua capacidade de adaptação e de aceitares as mudanças como parte integrante dessa jornada. Aceitares-te a ti próprio em mutação. Respeitares-te e aos outros, que te cercam em cada uma dessas fases, e nunca desistires de percorrer, o mais alegre possível, essa linha chamada vida.

E, agora, que direção escolhes?

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SÍLVIA SANTOS, a menina-mulher
Diz, por brincadeira, que é a Sílvia e a Aivlis — o seu nome escrito de trás para a frente. Porquê? Porque é de opostos. Voa e rasteja. Ri e chora. Reflete e descontrai. Uma menina-mulher, das que não sabem que sabem e que pensam que não sabem, mas sabem. Forte, mas resistente. Insegura, mas persistente. Com sede de viver, de sentir, de experimentar coisas novas: tanto pratica artes marciais, como salta em queda livre no meio das palavras. O que a sufoca? A monotonia. Anda constantemente em busca de novos desafios — e foi assim que veio aqui parar.