Oceano de letras

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Miro, pela última vez, o mar com o intuito de o memorizar. Memorizar as suas ondas, os seus peixes. Tenho de o memorizar, pois é ele que me recorda as minhas férias.

Acabou esta jornada. Por isso, irei partir.

Terei que embarcar numa viagem por entre os livros que, por enquanto, cheiram a novo. Tenho como companheiros os átomos, as células, as equações, e talvez possa encontrar uma ou outra função sintática pelo caminho. Qual é o nosso destino final? Uma pequena população chamada «Ter boas médias no final do 10° ano». Todos estamos confiantes de que lá chegaremos com sucesso.

Já estava na altura de deixar a praia e a piscina e começar a mergulhar nos livros.

As caminhadas sobre a areia quente foram as suficientes para que agora possamos saber como percorrer quilómetros e quilómetros de palavras.

As bonitas ondas do oceano são agora substituídas pelo folhear das páginas.

As horas livres, que ocupámos a olhar para as estrelas, são agora ocupadas com a difícil tarefa de decifrar os rabiscos e a gatafunhada que fizemos, quando tentávamos escrever tudo o que o professor dizia durante a aula.

E as noites, em que a única luz que tínhamos era a luz da Lua, passaram a ser noites iluminadas pelo pequeno candeeiro sobre a secretária, durante mais uma sessão de estudos, em que navegamos ao sabor das ondas de um oceano de letras.

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INÊS DINIZ, a teimosa
Ela é estudante. E tem apenas 14 anos. Gosta de fazer trabalhos manuais e é uma apaixonada pela leitura. Gosta muito de crianças e, por isso, quer ser Educadora de Infância. Se lhe pedirmos para escolher uma frase, com a qual se identifique, é esta: «Tu não és tu, quando tens fome.»