
São três horas da manhã. A noite já vai longa… Reflito no silêncio da tua voz que, mesmo a quilómetros de distância, é mais ensurdecedora do que a trovoada que lá fora se instala.
O aroma do teu perfume paira no ar da minha imaginação e o meu corpo reage com um arrepio, como se estivesses aqui, perante mim. Uma imagem brilhante e inalcançável dança pelos meus olhos e chega a dar-me tonturas de tantos rodopios que damos, mas, de repente, adormeço.
Pairo num mundo de desejos submersos que eu própria desconheço. São pequenos instantes de adrenalina, de loucura, de inferno e de paraíso. Mas, agora, a tua imagem, outrora brilhante, tornou-se numa escuridão profunda.
De olhos cerrados e respiração ofegante, fujo apressadamente. Descordenados e desencontrados são tais movimentos e também assim somos nós. Os dois seguros de que somos inseguros, receosos e amargurados… Esta amargura, ao mesmo tempo, que motiva o medo, cria a dor. O medo de se entregar e a dor de já se ter entregue!
É madrugada. A noite já vai longa… Neste momento, apenas a música ecoa, trazendo de volta lembranças agradáveis…




