Era amor. Ainda é

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Recordas-te? Faz hoje 50 anos que passeávamos lado a lado, com cumplicidade. Tu ainda menina e eu garoto. Recordas-te da nossa ingenuidade e do quanto gostávamos um do outro? E recordas-te de eu ter ficado de rosto encarnado, porque, indo para a escola, me deste um súbito beijo?

Foi assim que tudo começou. Lembro-me perfeitamente, como se fosse ontem, e lembro-me da reação que tive de imediato, que foi a de abrir a sacola dos livros e te ter oferecido a única coisa que tinha: uma bolacha de baunilha. Uma simples bolacha de baunilha, recheada com creme branco, mas que para mim era como um tesouro que te oferecia, por gratidão daquele beijo me ter proporcionado um dos melhores momentos da minha infância.

Graças a Deus que tinha aquela bolacha na sacola, misturada entre os livros escolares, ou melhor graças à minha mãe, que a colocou lá. Se não o tivesse feito, provavelmente tê-lo-ia retribuído com uma flor, ou com um lápis favorito, ou com uma outra coisa qualquer que encontrasse de preciosa para mim e que te pudesse agradar, fazer sorrir. Mas foi uma bolacha de baunilha.

Era amor. Ainda é.

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HELENA ISABEL, a misteriosa
Nasceu em dezembro de 1983. Diz-se uma «exploradora da vida». Gosta de ler, de escrever e de pintar. Não da pintura dos guaches e dos pincéis. Mas da pintura com as palavras. É apaixonada, irreverente e sensível a tudo o que a rodeia. Prefere um segundo de realismo a uma eternidade de sonhos.