É melhor tentar e falhar do que vermos a vida a passar

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Fotografia © Padurariu Alexandru | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Padurariu Alexandru | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Conforto e felicidade. Dois conceitos tão diferentes e, tantas vezes, confundidos. É incrível como o conforto se confunde com felicidade. É incrível a facilidade com que nos deixamos iludir com o comodismo, a facilidade com que nos encostamos à sombra da bananeira.

É que deixar a sombra e enfrentar o sol pode queimar e, hoje, as pessoas têm medo da dor da queimadura. Deixar a sombra exige ousadia e discernimento e, hoje, as pessoas têm medo de ser audazes. Preferem o que exige menos esforço. Preferem o que lhes dá mais tempo livre. Preferem acomodar-se.

Há pessoas cheias de ideias inovadoras que se acomodam aos trabalhos de que não gostam por medo de arriscar. Há pessoas que se acomodam a casamentos sem sentido, porque um divórcio significa, por exemplo, arranjar outra casa.

E as pessoas ficam. A vida passa e os conformistas ficam. Dá trabalho arriscar. Dá dores de cabeça. O suor escorre pelo corpo e o corpo fica cansado. Dá trabalho, mas, depois, há de compensar em doses de alegria. E, afinal de contas, não é isso que importa? Mesmo que falhemos, sabemos que não foi por falta de tentativas, sabemos que não foi por medo.

Lembro-me de há pouco tempo ter ouvido uma notícia em que referiram um senhor que trabalhava numa multinacional, ganhava um bom salário e que abandonou o emprego. Hoje, é um daqueles músicos de rua, com a mala da guitarra ao seu lado para amealhar uns trocos. E, sabem que mais, é feliz como nunca tinha sido, porque faz aquilo de que gosta.

E todos nós devíamos ter claro, nas nossas cabeças, que «é melhor tentar e falhar do que preocuparmo-nos e vermos a vida a passar», que é preferível sermos felizes, embora loucos, do que, «em conformidade, viver.»

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RAQUEL FERREIRA, a engenheira
É de uma aldeia perdida no norte do país e ambiciona ser mestre em Engenharia Civil. No percurso, apaixonou-se pelas palavras e escreve. Sobre tudo. Sobre nada. Ainda não é tudo o que quer ser, mas luta todos os dias por isso.