Romance de verão

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Era uma vez, numa praia não muito agitada, um rapaz. Um rapaz especial. Esse rapaz não era nada mais, nada menos do que o «Homem das Bolas de Berlim».

Sim, era ele mesmo o tão temido e, ao mesmo tempo, tão desejado «Homem das Bolas de Berlim». O homem que carrega, juntamente com a mala térmica das Bolas de Berlim e a caixa das Bolachas Americanas, a culpa dos quilos que todos nós engordamos nas férias. Porém, ele não se importava com essa sua fama, pois era assim que ele ganhava o seu sustento e era assim que, todos os dias, podia observar, de longe, a sua amada.

Essa era o motivo do seu sorriso, era a sua musa. Era graças a ela que ele tinha força suficiente para caminhar dias e dias, durante verões consecutivos, sobre uma areia tão escaldante quanto ela. Era a pele bronzeada dela, juntamente com o seu fato de banho de um cor de laranja vibrante, que o motivavam a caminhar para cá e para lá nesta praia não tão agitada.

Havia um único defeito nela. Era o facto de ser difícil demais agradá-la. Parecia que, por mais sabores que as Bolas de Berlim tivessem, nenhum conseguia prender o seu paladar.

Foi então que, no seu único dia de folga deste verão, sentindo saudades da sua musa, decidiu ir dar umas braçadas no mar desta praia não tão agitada. E lá estava ela, junto a uma bandeira tão verde quanto os seus olhos.

Foi com ela na sua mente, e o seu sorriso a turvar-lhe a visão, que ele se atirou ao mar e, não se apercebendo da força que o mesmo exercia sobre o seu corpo habituado à terra firme, ele foi sendo puxado em direção ao horizonte, por um mar que não tem amigos.

Foi no meio de uma grande aflição, onde a sua respiração era tapada pelas violentas ondas, que ela apareceu, vestida com um fato de banho de uma cor laranja vibrante e estendendo-lhe a sua suave mão de cima da sua mota de água.

Ele não sabe o que é que o encantou mais, se foi a força com que o puxou, a voz doce com que o acalmou ou o sorriso com que o presentiou ao vê-lo mais recuperado. Porém, viu-se a desejar que ela lhe fizesse respiração boca-a-boca.

Foi assim que, chegados a terra, e ainda com esse desejo em mente, ele lhe pediu um beijo. Um beijo, entre o «Homem das Bolas de Berlim» e a nadadora-salvadora. Um beijo que simbolizou o fim da época balnear e o início de um novo romance. Um romance de verão.

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INÊS DINIZ, a teimosa
Ela é estudante. E tem apenas 14 anos. Gosta de fazer trabalhos manuais e é uma apaixonada pela leitura. Gosta muito de crianças e, por isso, quer ser Educadora de Infância. Se lhe pedirmos para escolher uma frase, com a qual se identifique, é esta: «Tu não és tu, quando tens fome.»