Se estiveres a ler esta carta, é porque parti

Texto vencedor | Desafio de escrita: «Uma carta de despedida»

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Fotografia © FreestocksOrg | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © FreestocksOrg | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Se estiveres agora a ler esta carta, é porque parti. Já não estou aqui presente, em vida, mas pertenço, sim, ao grupo dos que te protegem e te veem ao longe, mas sentem bem perto.

Assim te dedico um pouco de mim, da minha história, dos meus momentos, do que em mim reside, do que por ti sinto, do que para ti fiz, do que quis, do que e quem amei, do que me faltou fazer, e a lista que sempre me incentivou a viver mais um dia para, um dia, a poder completar.

Classifico a minha história como motivadora e uma lição de vida. Penso que poucos seriam aqueles que resistiriam a ser fortes, tendo passado pelo que passei. A crescer à velocidade da luz, como cresci, pois com seis anos eu já era considerada uma adulta. E a ti permiti que vivesses a tua infância primeiro. Todas as crianças merecem e têm tempo para crescer.

O momento mais feliz? Aquele em que soube que tu irias nascer, que te iria conseguir ter nos braços e amar uma parte de mim tão desejada. O momento mais triste? Este, o de te escrever esta carta, que me faz doer por dentro. Preferia estar no silêncio, mas a olhar para o teu pequeno rosto, desenhado por mim.

O que em mim reside? Gratidão, porque vivi sempre o melhor que pude, e nunca me senti satisfeita com nada. Vida, porque aprendi que viver não é permitido a todos, pois nem todos sabem o que isso é, nem tão pouco valorizam aquilo que têm.

O que por ti sinto? Um amor incondicional, que sei bem que já sentia mesmo antes de saber de ti, pois a vontade e o desejo de te sentir dentro de mim sempre foram maiores que eu mesma.

O que para ti fiz? Tão pouco, comparado com aquilo que queria fazer. Mas sempre fiz e dei o melhor de mim.

O que quis? Tantas vezes desejei que o tempo parasse. Mas sempre me soube contentar com o que vida me deu, e sempre soube lutar por mais de forma humilde.

O que e quem amei? Esta tu sabes, porque te fui dizendo sempre. Aliás, essa já é mais que uma verdade sentida, é uma realidade nossa. «Amo-te, pedaço meu», dizemos nós entre olhares cúmplices que só nós deciframos.

O que fiz e me faltou fazer? Não fiz tudo o que queria, mas fiz muito do que desejei e sonhei fazer, pois, como bem sabes, meu amor, sempre vivi de sonhos. E assim decidi criar uma lista, que por pouco conseguia completar. Faltou ver-te ser feliz.

Porque a nossa força é a mesma!

Até sempre!

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.