A idade do ser!

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Fotografia © Tiago Camargo | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Tiago Camargo | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Penso muito pouco na idade. Porque para mim há só uma, mas para o resto do mundo há imensas. A idade que me dão. A idade que dizem que aparento ter. A idade que querem que eu tenha. A idade que, na verdade, é sempre melhor do que aquela que me dão. A idade que me identifica como alguém que já deveria estar casada e a pensar em flhos. A idade que me coloca na categoria das já trintonas. E, por fim, a idade que, na verdade, tenho, pois nasci a 17 de Janeiro, de 1986.

Mas vai daí e penso: «Estarei eu a cuidar bem da minha aparência ou simplesmente não sei parecer mais velha?» «Talvez, simplesmente, não precise de aparentar a idade que tenho?» E a realidade está longe de ser descoberta, até porque prefiro que seja sempre um mistério! E, aos poucos, só eu vou descobrindo e reparando ao espelho, o meu espelho, nas primeiras rugas. Aliás, nas expressões faciais. E nos primeiros cabelos brancos. Continuo a querer arrastar o dia de usar a primeira tinta para cabelo.

E assim, com o amadurecer da idade, o envelhecimento dos números (não do ser em si), vêm as maiores dificuldades. Nomeadamente, a visão, a audição, a mobilização, a autonomia, a solidão, a carência, etc.

E dei por mim a sonhar com a minha velhice, com a necessidade de me ver lá chegar e querer manter o mesmo espírito jovem e rejuvenescido. O relógio não para. Todos os segundos contam. Todos os minutos somam. Todas as horas contribuem para mais um dia que aí vem. E, quando fazemos uma pausa no tempo, já passaram meses, talvez anos.

Mas hoje, hoje dei por mim a querer ver tudo. A querer ouvir tudo. A querer correr pela relva verde do jardim. A querer cozinhar para mim. A querer acompanhar-me de alguém que me queira bem. A querer dar e receber aquele abraço que aconchega.

Porque a idade, no fim, não tem qualquer importância. Mas nós envelhecemos e essa é a forma natural como devemos ver as coisas.

Importa, sim, não sentir que faltou viver algo. Sentir algo. Querer algo.

No entanto, nunca é tarde.

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.