Palavras de sonho

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Fotografia © Carli Jean | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Carli Jean | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Hoje tive um sonho. Um sonho incrível.

Sonhei que conseguiria escrever este texto sem hesitar, sem apagar, sem riscar. Sonhei que conseguiria dar largas à imaginação e deixar-me guiar pela criatividade.

Quero escrever sem parar. Escrever porque sim. Porque me apetece. Porque acho que sou capaz. Porque sonhei que conseguiria.

Sonhei que escreveria até acordar. Escreveria sobre tudo e sobre nada. Escreveria até as palavras me faltarem, até ter que consultar o dicionário.

Sonhei que escreveria livremente, sem ter um fio condutor, um tema ou uma história a seguir.

Sonhei que escreveria tudo o que sou, o que faço, o que penso, o que sinto.

Se me sentir confusa, escreverei palavras ao acaso. Palavras que juntas não façam sentido. Palavras que formem frases incoerentes. Palavras que só se deixem interpretar por pessoas tão confusas quanto eu.

Se me sentir aborrecida, escreverei palavras que alimentem a minha imaginação. Palavras que me ocupem a mente. Palavras que me entretenham, enquanto o tempo não passa.

Se me sentir com saudades, escreverei palavras que me recordem momentos pelos quais já passei. Momentos nos quais também não faltaram palavras.

E, quando sonhei que o fim estava a chegar, sonhei com as palavras finais. Palavras cujas letras eram escritas uma por uma. Palavras iguais a tantas outras, porém palavras especiais. Palavras únicas que representam a última dança entre a minha mão e a lapiseira. Palavras que simbolizam a última vez que a minha mão guiou a sua amada lapiseira até ao ponto final mais próximo. Palavras onde os traços do carvão sobre o papel são como um sapato de cristal deixado para trás.

Sonhei que escreveria palavras como estas.

Cumpri o meu sonho.

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INÊS DINIZ, a teimosa
Ela é estudante. E tem apenas 14 anos. Gosta de fazer trabalhos manuais e é uma apaixonada pela leitura. Gosta muito de crianças e, por isso, quer ser Educadora de Infância. Se lhe pedirmos para escolher uma frase, com a qual se identifique, é esta: «Tu não és tu, quando tens fome.»