Carta às minhas irmãs favoritas

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Fotografia © Christopher Gimmer | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Christopher Gimmer | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

São duas e elegi-as, por assim dizer, embora elas não saibam, como minhas irmãs “adotivas”, há muitos anos. São dois amores. Têm aparência física e maneiras de ser diferentes, apesar de serem ambas reservadas.

Uma é mais emotiva, mas também introvertida. A outra mais extrovertida e analítica. E, como diz a canção, «uma é loira, outra é morena». Uma tem cabelos e olhos claros e doces, muitas vezes tristes, e a outra de olhos escuros, penetrantes, misteriosos e “picantes”. Ambas são determinadas, trabalhadoras, inteligentes e bonitas. E charmosas. Mas também teimosas e, às vezes, autoritárias. Eu acho que é pela educação que tiveram, mas também pela “capa” que arranjaram para se proteger dos amargos da vida. Mas é apenas a minha opinião.

Na realidade, complementam-se, mutuamente.

São minhas amigas de longa data, de muitos anos. Verdadeiramente, não as conheço assim tão bem. Mas gostaria. Sei de alguns gostos que têm, mas, por exemplo, não sei que músicas gostam. Tenho vindo a conhecê-las ao longo dos anos, a descobrir sempre algo de surpreendente (e bom) em cada uma.

Normalmente, levam tudo muito a sério e são muito sérias, por isso gosto de as fazer sorrir, de lhes quebrar aquela muralha (quase) impenetrável com que se cercam. Têm ambas um sorriso bonito, genuíno, que adoro fazer aparecer.

Identifico-me com ambas na sua forma de estar e de ser, com os seus valores e educação.

São pessoas com quem posso estar a conversar uma noite inteira, sempre de uma forma assertiva, educada e intelectualmente desafiante (coisa rara nos dias que correm, diga-se em abono da verdade). Ainda há muitas coisas que elas não sabem sobre mim e eu sobre elas. Teremos, com certeza, ainda muito a partilhar.

Alguma distância nos separa, mas, sobretudo, o ritmo alucinante do dia a dia de hoje não nos permite ver-nos mais vezes. No entanto, sei que posso contar com ambas, pois, no momento exato, elas lá estarão. Gostaria de estar mais na sua companhia. Muitas vezes, sinto a sua falta, tenho saudades delas.

Este é o meu tributo a elas, e a minha forma de lhes agradecer por fazerem parte da minha vida.

Obrigado. Hoje e sempre, adoro-vos.

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CARLOS DINIZ, o idealista
É informático, mas as letras também o assistem. Adora ler. Lá porque esta é a sua primeira experiência na escrita, não se deixa intimidar. Os desafios são para isso mesmo. Amante do que é natural, aprecia as coisas boas da vida. Acredita que «os sonhos comandam a vida» — e, aqui entre nós, comandam mesmo.