Saudades nossas

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Fotografia © Caleb Morris | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Caleb Morris | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Saudades nossas, daquele dia do primeiro beijo. Começámos juntos uma viagem desconhecida. Vivemos intensamente e aprendemos um com o outro. Demos conta do quanto tínhamos em comum. Descobrimos que juntos tínhamos sonhos que gostaríamos de realizar e começou tudo a fazer sentido, quando percebemos que estávamos apaixonados.

Quando estamos juntos, os momentos são únicos e especiais. Sempre a sorrir. Lembro-me de dizeres que o que te apaixonou, em mim, foi o facto de eu falar muito, de ter sempre tema para as nossas conversas, de ser de raciocínio rápido… Fazias-me rir. Os homens apaixonam-se pelo corpo, pela beleza. Mas tu és diferente. Ou, então, sou eu.

Sim, sou diferente contigo e, ao mesmo tempo, sou eu mesma, como tu sempre me deixaste ser. Um pouco louca e espontânea, doce e meiga. Foi sempre tão bom, cada vez que me fazias sentir ser a melhor do mundo e que, para ti, era um privilegio eu fazer parte da tua vida. Tinhas todas as ilusões do mundo comigo. Fizeste-me acreditar e sonhar que tudo seria possível. Mas e, agora, onde estás? Ainda conservas os sonhos comigo?

Vês tudo muito difícil. Sei que queres, mas é demasiado para ti. O teu coração, junto da razão, não te permite mais! Mas sabes uma coisa? Não se abandona o único amor que se teve na vida, mesmo com falhas pelo meio, porque é com as falhas que vemos o quanto o amor supera tudo. Não se abandona a felicidade plena. Não se mata um coração como o meu, que tanto te ama.

Sim! Amo-te de uma forma incalculável, mas e o tu? Já morreu, não foi? Eu preferia pensar que o que sentes, por mim, está adormecido e que ainda resta a esperança de voltar a viver tudo de novo. Mas, desta vez, vou ser exigente e sabes porquê? Porque mereço!

Quero este amor livre e que se lixe o que vão pensar aqueles que nos rodeiam, que se lixe quem vai sofrer. Desculpa, mas é o que me apetece dizer. Sabes porquê? Porque, agora, também ninguém se importa com o que sinto e com o quanto estou a sofrer. Mesmo tu sabes que sofro, mas para ti eu sou corajosa, supero tudo. Estás tão enganado!

Estou a sofrer, sim. Não sou forte, sabes? Sou frágil, porque estou apaixonada por ti. Apetece-me pedir-te para que te retires um pouco do conforto da tua vida, do que é fácil, e para pensares em nós. Peço-to com o coração apertado. Ainda aqui estou e aqui estarei, enquanto o meu amor não morrer. Não o mates desta forma lenta e dolorosa, porque, quando ele morrer, não haverá forma de voltar a ter vida por ti.

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MATILDE GOMES, a emotiva
É sonhadora — tanto que, desde há muito, tem uma lista de sonhos a realizar — e é a viajar que quer iniciar a sua aventura pela vida. Apaixonada pela leitura, é na escrita onde se sente livre, tendo sempre presente o amor e a dor. O seu interior é um turbilhão de emoções, onde reside as lágrimas e os sorrisos. Para a Matilde, o abraço é o gesto que melhor revela os sentimentos.