Como saber quando é o momento certo para desistir?

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Fotografia © Hannah Morgan | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Hannah Morgan | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Como saber quando é o momento certo para desistir? Como saber se aquela tentativa número oito não seria exatamente aquela que traria o que procuravas e, no entanto, desististe na sétima? Como saber que, afinal, só faltava insistir um pouco mais? Como saber que vale sequer a pena tentar? Como saber que, enquanto bates a uma porta insistentemente, existe outra ao lado que se abriria ao primeiro toque?

Dizem que, quando a tua intuição diz que algo está errado, é porque normalmente está. Mas como distinguir entre o comum nervoso miudinho e esse «algo de errado». E se, por isso, hesitamos quando devíamos seguir em frente? A ansiedade é natural quando arriscamos rumo ao desconhecido, quando do outro lado da travessia está aquilo que muito queremos. E, mesmo assim, nem sempre o fazemos. Como interpretar os sinais que o nosso inconsciente nos dá?

Todos sentimos isso na pele no dia a dia. Todos temos sonhos e desejos pelos quais lutar. Todos temos vontades de ter ou de ser. Não importa o que seja. Mas e quando tudo falha? Mas e quando vês esse objetivo cada vez mais longe? Como desistir? Como aceitar que de nada serve insistir? Como saber que, por mais que queiramos, aquele não é realmente o melhor caminho para nós? Como saber que não estás a desperdiçar forças que te faltam noutras batalhas?

Já quiseste tanto, tanto, mas tanto algo que, por mais razões que a razão te desse, por mais lógica que encontrasses nas mesmas, no mais fundo do teu ser, no âmago da tua essência, continuavas a querer isso mais do que tudo? Mesmo quando havia tanto a acontecer, tentando desviar a tua atenção desse querer, essa vontade maior do que a razão acabava sempre por te puxar de volta? Como funciona esta coisa do querer visceral? Como saber se lhe damos ouvidos? Ou não?

Como reconhecer o nosso limite? Que já não dá mais?

Desistir ou deixar ir. Desafio de dimensões hercúleas, digno de abalar qualquer vontade férrea. Como deixar ir quem amas? Como deixar ir os sonhos? Aquilo que te enche o coração. Aquilo que te dá forças. Aquilo que te move.

Às vezes, tem que ser. Existem lutas condenadas que teimamos e insistimos em travar, mesmo que, a cada derrota, morramos um bocadinho.

Como deixar ir sem que uma parte de nós vá junto? Como saber o que deixar ir e o que deixar ficar? Como preencher o vazio que fica?

Como saber quando desistir, sem que isso nos apague a luz, sem que isso nos mate a esperança?

Deixar ir ou desistir…. Mas quando? E como?

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ANA PEREIRA, a inquieta
Nasceu numa noite estival, mas tem alma outonal. Convive com os números, mas encontra refúgio nas palavras. Aparenta serenidade, mas governa-a uma mente deveras inquieta. Se lhe perguntarem, é assim que se define a si própria. Aliás, estas foram palavras dela.