Quando se ama de verdade, nem a morte separa

1973
Fotografia © Kristina Litvjak | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Kristina Litvjak | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Amo-te, Francisco. Amo-te desde que me cruzei contigo e viajei nos teus olhos. Amo-te desde que te entreguei a minha alma em troca do teu amor. Amo-te desde aquele dia como se fosse desde sempre.

Tive sorte ou então foi só obra do destino, que nos colocou, frente a frente, na esplanada daquele café. Hoje, ainda sorrio sempre que lá passo. Ainda recordo os sorrisos tímidos que trocámos. Hoje, ainda recordo o teu embaraço ao pedires-me para te sentares na minha mesa para falar acerca do livro que eu lia. Sempre tiveste a mania que eras um crítico literário e foi o amor pelos livros que nos juntou. Ou foi sorte ou o destino. Não importa, porque amo-te desde aquele dia como se fosse desde sempre.

E, dez anos depois, continuo a amar-te com a mesma intensidade, com o mesmo turbilhão de emoções. Mesmo que adormeça, todos os dias, numa cama vazia, mas, ao mesmo tempo, cheia de amor. A cama que testemunhou todas as nossas juras de amor, todos os nossos projetos a dois, toda a transpiração dos corpos envolvidos em prazer. É a cama que testemunhou o que a vida tem de melhor, o amor.

Não tive tempo de me despedir de ti, para te garantir que cumpriria todas as nossas promessas. Partiste rápido demais. Há quem diga que quem vive intensamente morre intensamente. E tu eras assim, intenso.

Aprendi contigo a apreciar a beleza do natural, das pessoas genuínas, dos pormenores que realmente fazem a vida valer a pena. Deixei de ser pessimista e de me rodear de pessoas negativas. Porque a vida pode ser aquilo que nós virmos nela.

Mas, Francisco, fazes-me falta. Há tanto que gostava de partilhar contigo. Tantas emoções, tantos momentos, tantas recordações. Fazes-me falta. Mas a minha alma ainda é tua e a tua alma ainda é minha e, afinal, é isso que importa para percebermos que, quando se ama de verdade, nem a morte separa.

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RAQUEL FERREIRA, a engenheira
É de uma aldeia perdida no norte do país e ambiciona ser mestre em Engenharia Civil. No percurso, apaixonou-se pelas palavras e escreve. Sobre tudo. Sobre nada. Ainda não é tudo o que quer ser, mas luta todos os dias por isso.