No mundo do faz de conta

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Fotografia © Skitter Photo | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Skitter Photo | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Era tão bom que a vida fosse como nos ensinaram, quando éramos crianças, quando pegávamos no dente-leão e assoprávamos para pedir um desejo.

Quando éramos crianças, tínhamos sonhos guardados no bolso, e os dentinhos debaixo da almofada para a fadinha dos dentes os levar.

Quando éramos crianças, vivíamos despreocupados num mundo cor de rosa do faz de conta. Ontem, era uma princesa. Hoje, já podia ser a cabeleireira.

Quando éramos crianças, o vento tocava no cabelo, enquanto descíamos de bicicleta a rua da casa da avó.

Quando éramos crianças, sorriamos de forma tão sincera que, por dentro, sentiamos raios de luz.

Quando éramos crianças, adorávamos o sabor do tulicreme, num pão daqueles pequeninos, enquanto assistiamos aos desenhos animados na altura. As gargalhadas eram sonoras, sem vergonhas. Vivíamos despreocupados com o que outros pensavam.

Quando éramos crianças, os pirilampos eram mágicos, e as cores tinham mais vida. Não haviam horas contadas, nem preocupações que não nos deixassem dormir.

Dizem que o mundo é das crianças, e eu acredito que sim. Acredito tanto que sim, na inocência aliada a uma sinceridade, num mundo faz de conta que era tão verdadeiro.

Tenho saudades. Saudades de calçar os saltos altos da minha mãe e de correr pela casa a fazer de conta que era adulta. Hoje, sou adulta e só quero calçar uns ténis confortáveis e fazer de conta que sou criança, viver aventuras num mundo de imaginação.

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SOFIA ALMEIDA, a professora
É feita de sonhos, de saudades, de amor. É feita de coragem, de abraços, de risos e de gargalhadas. É feita de bom humor e de algum mimo também. É feita de uns dias melhores e outros assim assim. É um pouco do que lê, do que vê, do que ama, do que guarda. É também um pouco daqueles que ama, daqueles que ouve, daqueles que estão aqui, bem dentro, no seu coração. É feita de algumas fraquezas, algumas conquistas, alguns desafios. É feita de um amanhã, de um hoje e de um ontem, que já passou, mas que faz ainda parte de si. É a Sofia.