Confesso…

Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Confesso que o que sinto por ti é maior que o tamanho do mundo. Confesso que talvez tenha sido a primeira a perceber este tão grande sentimento. Amo-te. Já não me custa confessar tal coisa. Amo-te e ponto final. É assim, talvez não tão simples como possa parecer. Mas agora estamos os dois juntos e confesso que espero que o seja para sempre. Para além dos tempos… Lembro-me tão bem do nosso primeiro encontro.

O dia estava lindo. Como tantos dias de verão, o sol raiava no céu azul, a brisa parecia que tinha tirado o dia de folga. Eu sentia-me bem no meu top cor-de-rosa e na minha minissaia de ganga. Agora tenho que te confessar que demorei imenso a escolher a indumentária. A meu lado pousava um livro. Confesso que não tinha intensão nenhuma de o ler. Confesso que o tinha a meu lado talvez para disfarçar o nervosismo que se pudesse vir apoderar de mim. Já tínhamos falado tantas vezes. Milhões delas! Trocámos tantas palavras. Tantas! Mas, naquele dia, na eminência de te ver… Oh, confesso que estava tão nervosa. Não sabia que dizer, que fazer, como agir. E se afinal a tua voz não fosse tão sensual ao vivo como era pelo telefone? Confesso que me apaixonei pela tua voz. Era tão suave ao ouvido como o coro de crianças a cantar. Confesso que ao ouvir-te só tinha vontade de estar contigo. E o som da tua gargalhada? Tenho que te confessar que esse som até a mim me alegra. Faz-me arrepiar de tão alegre que é.

E ali estava eu naquela esplanada à tua espera. Confesso que tive medo que estivesses algures entre a multidão a olhar para mim. Será que estiveste ali a espiar-me? É que, se sim, confesso que não saberia como agir.

Olhei em redor. Já tinha visto a tua foto centenas de vezes. Será que te iria reconhecer entre a multidão que passeava descontraída? Olhei mais uma vez. Devo confessar-te que o meu coração disparou. Batia acelerado como se fosse um cavalo de corrida que estivesse pronto a atingir a meta. Oh, vi um homem alto, bem-parecido, de cabelos claros. Estava de costas. Quando os olhos dele encontraram os meus, vi que não eras tu. Confesso que nos olhos daquele estranho não estava o brilho que, um dia, vi nos teus naquela primeira foto. Sabes a qual me refiro? Oh, confesso que aquele teu sorriso era maravilhoso. Cheio de vida. Tinhas o cabelo desalinhado, o que te dava um ar maroto, mas tão bom!

Vi alguém a aproximar-se. Tentei disfarçar com o tal livro que não fazia tenção nenhuma de ler. Quando os meus olhos se levantaram devagarinho, encontraram os teus. Confesso que fiquei com uma vontade enorme de chorar. Chorar de alegria! Claro! Porque afinal existias. Porque afinal estavas ali. Porque afinal tinhas vindo ter comigo… Sorriste para mim e apercebi-me de que o sorriso não era dado apenas para as câmaras, aquele que tinhas acabado de dar era para mim. Só meu. As tuas primeiras palavras foram engraçadas.

«Confesso que é estranho estar aqui… Mas ainda bem que vim

Levantei-me a custo e abracei-te. Abracei-te para te sentir, com medo que afinal fosses apenas uma ilusão. Confesso que desde aquele momento que te amo. O teu calor, o teu cheiro perseguem-me todos os dias.

Mas para que estou eu aqui com estas confissões? Os meus atos falam por mim, não falam? Sabes que te amo, não sabes? Agora, estamos juntos todos os dias. Os nossos corpos enroscam-se como se fossem um só. O calor que emana de ambos aquece-me até à alma. Fundem-se em cheiros e em sabor. Quando a tua boca me saboreia, confesso que me sinto nas nuvens. És meu. E tenho que confessar que sou tua. Sou tua desde o primeiro dia que te ouvi. Desde o primeiro dia que te vi ali, junto a mim. Confesso que sou tua desde que os nossos corpos dançam aquela dança nua como se fossem um só.

E, depois destas recordações, nada mais há a confessar a não ser «amo-te».

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Ela é ativa q.b. — e há quem ache que o é até demais. É bem disposta por natureza e o sorriso é a sua imagem de marca. Por isso, ama sorrir e ama quem sabe sorrir! Adora ler — e há quem ache que lê demais, mas nunca se lê demais, pois não? E adoraaaaaaaaaaa escrever! Não perde um desafio e, por isso mesmo, veio parar aqui. E ainda bem.