Avô, tenho saudades suas

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Avô, tenho saudades suas. As memórias dos momentos que passámos juntos são cada vez mais escassas e turvas. Tenho saudades suas.

Não estava comigo quando o meu primeiro dente me caiu ou quando aprendi a ler e a escrever. Tenho saudades suas.

Não me deu tempo suficiente para aprender a tratá-lo por você, como sempre sonhou. Tenho saudades suas.

Onde está agora? Tinha mesmo de partir? Não pode voltar? É porque tenho saudades suas.

São cada vez mais as músicas que me fazem lembrar-me de si e cada vez mais as lágrimas que me escorrem pelas faces, cada vez que o recordo. Tenho cada vez mais saudades suas.

Avô, tem estado a ver-me? Tem visto o que tenho feito?

Não pude partilhar as minhas conquistas consigo, nem pude pedir-lhe conselhos para superar os obstáculos que se atravessavam no meu caminho e na minha vida. Sinto a sua falta. Tenho saudades suas. Saudades da pessoa que sei que ficaria orgulhosa de quem sou e do que faço. Gostava de lhe poder ter dito, frente a frente, que me sentiria grata e extremamente honrada por ser digna do seu orgulho.

Tenho saudades suas. Sempre tive. Sempre terei.

Avô, quero pedir-lhe um grande favor. Onde quer que esteja, por favor, espere por mim. Quero, um dia, ir ter consigo para, então, recuperarmos o tempo perdido e pormos a conversa em dia.

Até lá, continuarei aqui a recordá-lo e a relembrá-lo e a fazer tudo para que se orgulhe cada vez mais de mim.

Obrigada, avô, por todos os momentos que, apesar de curtos e escassos, foram únicos, por todos os abraços, por todo o carinho, por todo o colinho, por tudo. Simplesmente obrigada.

Com Carinho,
A sua neta mais velha,
que tem muitas saudades suas

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INÊS DINIZ, a teimosa
Ela é estudante. E tem apenas 14 anos. Gosta de fazer trabalhos manuais e é uma apaixonada pela leitura. Gosta muito de crianças e, por isso, quer ser Educadora de Infância. Se lhe pedirmos para escolher uma frase, com a qual se identifique, é esta: «Tu não és tu, quando tens fome.»