Entrevista: A nossa visão do mundo

Dia Mundial da Fotografia | 19 de agosto

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Fotografias © Carina Maurício & Nádia Bento | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografias © Carina Maurício & Nádia Bento | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Hoje, dia 19 de agosto, é o Dia Mundial da Fotografia. E, aqui, na plataforma Desafio-te, são duas as desafiadas que, além da paixão pelas palavras, têm também uma paixão imensa por fotografia. E este é o mote para esta conversa informal a três.

Laura: Quando começou o vosso gosto pela fotografia?

Carina: Desde que tive uma máquina fotográfica pela primeira vez nas mãos, quando era criança. Não me lembro ao certo da idade.

Nádia: Eu sempre gostei muito de tirar fotografias. Tenho imensos álbuns que fui preenchendo desde que me lembro, mas, principalmente, desde a época da escola secundária. Foi quando comecei a fazer viagens para fora do país que a minha paixão pela fotografia se intensificou. Foi o querer capturar todos os momentos passados num lugar diferente, as novas paisagens e tudo o que me rodeava, que me levou a investir numa câmera fotográfica ‘mais a sério’ e, desde então, não tenho parado de tirar fotografias.

Laura: Tiveram alguma formação em fotografia que vos servisse de arranque, ou consideram-se autodidatas?

Carina: Eu tive apenas uma disciplina de fotografia na faculdade, que me deu os conceitos básicos sobre fotografia (exposição, abertura da lente, ISO, etc). Depois, tenho lido e explorado muito. Hoje em dia há revistas temáticas muito boas e a internet é um mundo por explorar — embora não me foque muito em questões técnicas, apenas o suficiente para conseguir colocar em fotografia a ideia que quero transmitir.

Nádia: Quanto a mim, quando comprei a minha câmera fotográfica mais profissional, foi um amigo meu (também entusiasta de fotografia) que me ensinou tudo sobre a máquina e sobre os princípios básicos da fotografia. Foi com ele que aprendi a usar a câmera. Pouco depois, participei num workshop da Canon, no Instituto Português de Fotografia. Desde então, tem sido com a prática e persistência que tenho vindo a aperfeiçoar as fotografias que capturo.

Fotografias © Carina Maurício
Fotografias © Carina Maurício


Laura: E já fizeram alguma exposição fotográfica? É uma ideia que vos alicia?

Carina: Nunca. Já tive uma ou outra fotografia em exposições colectivas, de concursos realizados, e algumas publicadas na revista O Mundo da Fotografia Digital. Gostava de fazer, mas não sei sobre que temática, porque ainda sou muito eclética.

Nádia: Não, também nunca fiz. No entanto, recentemente, criei um website onde tenho vindo a publicar algumas das fotografias que vou tirando. Fazer uma exposição fotográfica é algo em que nunca pensei, mas quem sabe se no futuro não surgirá uma oportunidade?

Laura: Acredito que a vossa sensibilidade para a fotografia acaba por permitir também que olhem para os lugares, para as pessoas e para as coisas de uma perspetiva muito vossa. Como é esta vossa visão do mundo?

Carina: Esta minha visão, a que gosto de retratar e de transmitir às pessoas, é o detalhe, o pormenor, a abstração, uma forma diferente de ver a realidade. É fotografar, por exemplo, um sítio, por onde passamos todos os dias, de forma diferente. Reparar naquilo que ninguém vê. Retratar uma pessoa como ela nunca se viu.

Nádia: O facto de ser tão apaixonada por fotografar tem feito com que olhe com mais atenção para o que se passa à minha volta, tem levado a que esteja mais atenta aos detalhes. E, ao estar mais atenta, consigo capturar imagens que naquele momento me fazem feliz e que quero preservar. Guardar memórias é algo que me faz extremamente feliz, e a fotografia ajuda-me a atingir esse fim.

Laura: E costuma acontecer-vos estarem num local e não se conseguirem abstrair da vossa visão de fotógrafas, atenta aos detalhes e à estética, por sentirem que «isto agora dava mesmo uma boa fotografia»?

Carina: Sim, acontece a toda a hora. Daí agora andar sempre com a máquina fotográfica. E, às vezes, quando vou em viagem e não consigo parar o carro em determinado sítio, fico irritada por ter perdido uma boa fotografia.

Nádia: Sim, sem dúvida! Para mim é muito frequente estar nalgum lugar e estar a pensar nas fotografias que posso tirar para capturar aquele momento/aquela paisagem. Também é muito comum ir a passar num local e pensar «Este sítio é óptimo para tirar fotos» e, se não for naquela altura, volto a lá ir para tirar umas fotografias!

Laura: Que temas vos inspiram mais a fotografar?

Carina: Bom, como já referi, sou muito eclética. Gosto de fotografar a natureza, os animais, as pessoas, as culturas, os pormenores, as vivências, os lugares… Também gosto de fotografia macro, mas ainda não tenho lente para isso. Tenho noção de que para me tornar boa fotógrafa, numa determinada área, devo focar-me, porque cada uma tem especificidades muito próprias. Ainda não descobri aquilo que mais me motiva a fotografar. Ainda estou a explorar a vida em todas as suas vertentes.

Nádia: Eu sinto-me muito dividida entre paisagens ou retratos. Por um lado, adoro conhecer lugares novos e fotografar paisagens diferentes. Adoro a sensação de estar constantemente à procura que um local novo, para mim, para poder tirar fotos novas. Adoro poder guardar para sempre imagens de sítios onde fui feliz. Por outro lado, dá-me imensa satisfação fazer retratos, principalmente de crianças e bebés! As crianças são tão genuínas e sinceras, que o resultado final das fotografias é sempre espectacular. As fotografias são espontâneas e alegres e, enquanto as estou a tirar, farto-me de rir. As minhas fotografias favoritas são aquelas mais simples, onde parece que a pessoa nem está a posar para a foto.

Fotografias © Nádia Bento

Laura: Fotografia e palavras complementam-se?

Carina: À exeção de dois ou três textos que escrevi na adolescência, comecei a escrever associado à fotografia. Por exemplo, em determinado álbum fotográfico, colocava uma descrição mais emocional sobre essa temática. Por isso, para mim, complementam-se. Se tiro determinada fotografia, apetece-me escrever sobre ela. Se escrevo um texto, já estou a imaginar uma fotografia para o acompanhar. Embora a escrita ainda seja muito recente para mim.

Nádia: Eu, pessoalmente, considero-me uma pessoa bastante criativa. Adoro criar coisas novas, e, como tal, posso dizer que a escrita e a fotografia são duas das minhas grandes paixões. A grande diferença entre as duas é que, enquanto para escrever preciso de estar inspirada e normalmente os meus melhores textos acontecem quando me sinto mais em baixo, fotografar é algo para o qual estou sempre pronta e arranjo sempre disposição! E, se estiver numa fase menos boa, fotografar é algo que me anima bastante.

Laura: Quais os vossos fotógrafos preferidos e de que modo vos inspiram?

Carina: Existem tantos fotógrafos excelentes e de referência para mim. Mas hoje vou apenas referir alguns nomes nacionais que acompanho. Adoro os retratos da Claúdia Miranda, o trabalho de fotojornalismo do António Luís Campos, a fotografia de paisagem do Luis Afonso, os trabalhos artísticos e de casamentos da Luminous Photography. Isto só para referir alguns.

Nádia: Os meus são todos pessoas que “conheci” no Instagram. Os meus 5 favoritos são: @jacimariesmith, @tyfrench, @zoelaz, @indiaearl e @mandinelson. São todos pessoas muito jovens, com estilos diferentes e com um enorme talento. Os perfis e sites deles são autênticas obras de arte, que me deixam feliz só de olhar. São estes fotógrafos que me inspiram diariamente a trabalhar e a esforçar-me mais para atingir os meus objetivos e sonhos.

Laura: Algum projecto fotográfico para breve?

Carina: Não, ainda não. Como só me dedico à fotografia nos tempos livres, sobra-me pouco tempo para focar-me e desenvolver uma ideia. Talvez no futuro.

Nádia: Também não. Neste momento, tenho interesse em praticar mais, fotografar mais retratos, para poder enriquecer o meu portfolio.

Laura: Quem nos está a ler onde vos pode encontrar online?

Carina: Na página do facebook A minha visão do mundo, da vida e das coisas.

Nádia: No meu website de fotografia e no meu perfil do Instagram @nadialexandra.

Laura: Numa palavra, o que o acto, em si, de fotografar vos faz sentir é:

Carina: Felicidade.

Nádia: Alegria.

Laura: Numa frase, fotografar, para vocês, é…

Carina: Desenhar com a luz aquilo que quero transmitir, d’A minha visão do mundo, da vida e das coisas.

Nádia: Uma grande paixão.

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LAURA ALMEIDA AZEVEDO, a desafiadora
37 anos. Uma dose saudável de loucura. Gosto por tudo o que é novo, diferente, ousado, criativo. Apaixonada por palavras, desenho e comunicação. Licenciada em Jornalismo. Designer gráfico, ilustradora e autora do livro e do blogue «Apetece(s)-me». Incapaz de viver sem a luz do sol, mas completamente rendida ao silêncio da madrugada. Viciada em música, chocolates e varandas. Fascinada por cidades, pessoas e emoções. Nunca diz que não a uma discussão construtiva: afinal, é a conversar que as pessoas se entendem. Em miúda, o seu jogo preferido era o Jogo da Verdade.