Quero ver os teus olhos

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Fotografia © Inês Diniz | Design © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Inês Diniz | Design © Laura Almeida Azevedo

Os teus olhos são como um espelho. Um espelho que reflete o teu interior.

Conheço os teus olhos demasiado bem. Gosto deles. São parecidos com os meus. Porém, os teus são mais bonitos, mais claros e mais vezes afogados em lágrimas. Lágrimas de tristeza, de frustração, de irritação, de incerteza. Lágrimas que muitas vezes não compreendo.

Também vejo neles o brilho com que o teu sarcasmo os presenteia e a alegria que as tuas piadas secas lhes oferecem.

Mas, ultimamente, apenas tenho visto refletido neles uma tela. Uma tela que te faz mal. Uma tela que, como tudo o que é venenoso, tem cores atrativas. Sim, essa tela é venenosa e o seu veneno mata-te. Mata quem tu és. Mata as tuas piadas. Mata a tua imaginação. Mata a tua alegria. Mata o brilho dos teus olhos. E, acima de tudo, mata a tua presença, afastando-te de mim, tornando-te o seu escravo.

Larga-a, por favor, enquanto tens tempo. Ela está a matar-te e tu não estás a ver.

Quero o brilho próprio dos teus olhos de volta. Quero que os teus olhos sejam como um sol, que emite luz própria, e não uma simples lua que reflete a luz emitida pela estrela mais próxima.

Quero o meu irmão de volta. Aquele irmão que se sentava comigo a conversar. Aquele irmão que tinha um brilho de timidez e de vergonha a salpicar-lhe os olhos, quando tinha que expor os seus sentimentos através de palavras.

Quero ver os teus olhos a brilharem de novo. Quero ver o sol a clareá-los e o teu sorriso a alegrá-los.

Olha para mim. Quero ver os teus olhos.

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INÊS DINIZ, a teimosa
Ela é estudante. E tem apenas 14 anos. Gosta de fazer trabalhos manuais e é uma apaixonada pela leitura. Gosta muito de crianças e, por isso, quer ser Educadora de Infância. Se lhe pedirmos para escolher uma frase, com a qual se identifique, é esta: «Tu não és tu, quando tens fome.»