Solidão inquieta

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Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Por entre os cortinados, a luz passa. Os meus olhos começam a sorrir com o calor que o meu corpo vai sentindo. Está sol e parece ser mais um dia excelente. Mas o meu cérebro não acompanha o acordar do meu corpo. De volta à realidade, a saudade dela é enorme.

Não consigo falar. Grito e não sai som nenhum. É um barulho ensurdecedor na minha cabeça e, no quarto, uma paz inquietante que me apavora. Não vou esconder que está a ser difícil para mim pensar que os nossos caminhos possam não se voltar a cruzar. É horrível.

De volta ao quarto, parece que flutuo. O meu cérebro teima em não corresponder. Grito, esperneio, anseio por um som. Como é possível? Eu aqui deitado sem conseguir falar, sem conseguir balbuciar um esgar sequer.

O facto de não conseguir falar, gritar, fazer-me ouvir é doentio, porque não consigo dizer o que eu gostava que tu ouvisses, da forma que eu gostava que fosse dito. O único som que consigo lentamente fazer é o das lágrimas que começam a cair dos meus olhos.

Deixo-me viajar. De nada vale lutar contra a inércia, contra a dôr. Independentemente de estar com ela ou não, vou cuidar de mim. Sou um lutador, com mil sonhos por viver, mas que não tenho mil anos pela frente.

O amor dá liberdade! Tenho de lhe dar o espaço que ele pede. Se me ama, vai voltar. Se não ama, não voltará. E é a esse pensamento que tenho de me agarrar.

Aos poucos, a voz começa a soltar-se e ao mesmo tempo não quero acordar! Parece que tudo não passa de um sonho… ou não…

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NUNO CORREIA, o desportista
Tem 36 anos. Nasceu em Coimbra. É um apaixonado pelo desporto e pelo ar livre. Descobriu o gosto pela escrita no dia em que deixou de acreditar no amor... Ou, aqui entre nós, talvez não.