Foi o teu sorriso

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Foi o teu sorriso que abriu caminho pelas trevas do meu coração. Foi o teu sorriso que acendeu novamente a luz dentro de mim. Foi o teu sorriso, a chave, que abriu os portões do meu ser.

O teu sorriso teve a força de mil homens. Desintegrou barreiras, desabou muros e desarmou defesas. O teu sorriso fez-me acreditar, novamente, que o amor era possível. Que, afinal, o amor não era inalcançável e que esse direito – ao amor – também era meu. O teu sorriso mostrou-me que não havia nada de errado comigo e que também eu seria capaz de amar. Que esse dom estava em mim. Que só me faltava encontrar-te a ti.

Foi o teu sorriso que despertou necessidades caladas à força, por quem já havia desistido. Que me fez querer mais. Mais da vida. Mais de mim. Foi o teu sorriso de menino grande que reacendeu a esperança. Que me fez abrir os olhos para dentro. Que me fez querer ser melhor por mim. Por ti. Que me fez querer ser digna de me dar. E, por isso, testei-me e desafiei-me, conheci-me e aceitei-me.

Foi guiada pelo teu sorriso que caminhei pelos labirintos do meu coração e que encontrei, em mim, o muito que, afinal, tinha para oferecer a alguém. A ti.

Foi pelo teu sorriso que me permiti ser inundada por este sentimento avassalador, mesmo sabendo o turbilhão de emoções que vinha com ele. E foi por isso que te recebi em mim. Que recebi este amor. Que o deixei crescer e vingar. Foi pelo teu sorriso que deixei o meu mundo ser virado do avesso. Que caminhei pelo desconhecido.

O teu sorriso fez-me sentir mais mulher do que nunca. Mais forte e, no entanto, mais indefesa.

Tem sido o sorriso dos teus lábios a iluminar muito dos meus dias desde então. A dar-me alento em dias difíceis e a fazer-me sorrir mesmo sem motivo.

O sorriso dos teus lábios foi o princípio de tudo. E, mesmo que, com o tempo, os traços do teu rosto se apaguem da minha memória, a curva do teu sorriso jamais se desvanecerá.

Foi por causa de um sorriso que descobri o que é amar. O que é querer e aceitar, na nossa vida, alguém tão imperfeito quanto nós.

Tanto por causa de um sorriso… Nem imagino como que seria se te tivesses dado, por completo, a mim.

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ANA PEREIRA, a inquieta
Nasceu numa noite estival, mas tem alma outonal. Convive com os números, mas encontra refúgio nas palavras. Aparenta serenidade, mas governa-a uma mente deveras inquieta. Se lhe perguntarem, é assim que se define a si própria. Aliás, estas foram palavras dela.