O meu espelho

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Fotografia © Nicole Mason | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Nicole Mason | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

O meu espelho é o lugar onde me procuro ver, para também te ver em mim.

Podiam até não existir espelhos. Existem outras formas de te ver em mim. O reflexo surge em cada lembrança já vivida: na gota da chuva que cai sobre a tua face, no mar azul que banha os meus pés, na lágrima que percorre o rosto, nos olhos apaixonados, no sorriso sincero e malandro que surge só porque sim.

O meu lugar é aqui. Posso até cair mil vezes, e, ainda assim, vou desejar da mesma forma e com a mesma intensidade estar aqui hoje e levantar-me como se fosse a primeira vez. Porque quem cai levanta-se, quem calça as luvas luta, quem ama não esquece, quem quer viver agarra-se ao hoje, ao agora e vive com o que a vida dá, e supera tudo, todas as dificuldades e obstáculos que forem surgindo.

No meu espelho, redescobri-me.

Em ti, revi um eu que, durante muito tempo, andou perdido. Ninguém entende. Talvez nem nós na verdade. No entanto, as respostas vão surgindo e o que se vê são duas pessoas simplesmente felizes, que se fazem sentir tão bem, inspiradas, vivas, porque existem e porque escolheram estar bem e juntas acima de tudo.

Posso até me perder num labirinto de espelhos. Faz parte. A vida põe-nos constantemente à prova até de nós mesmos. Resta-nos inteligência e ponderação para saber ler e ouvir todas as mensagens. A humildade não se ganha, mas num espelho facilmente se vê se existe.

Sem licões de moral. De coração cheio. Preenchida. A transbordar de amor. Sem limites.

Daqui ao infinito e mais além, onde nada nem ninguém me destrói.

Eu. Um espelho. Uma gota. Um Mar. Uma lágrima. Um sorriso. Um caminho. Um só em dois. Um reflexo. Um infinito. Eu.

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ANDREIA DE CASTRO, a princesa
Se fosse o seu pai, dir-nos-ia: «A Andreia é uma princesa... Só ainda não sabe que o é.» E, para ele, isto definiria tudo. Porque a Andreia é amor. Amor pelos outros, mas não tanto por ela própria. Porque a Andreia é família: vive para e por eles. Porque a Andreia é o sorriso, a lágrima, o vento, o sol, o silêncio, o mar e o céu sem limite. E, além de tudo disto, a Andreia é ainda solitária, viajada, artista, insegura, auto crítica, beijoqueira. É a princesa que o pai sempre quis ter. E que, até ao parto, esperavam que fosse um menino... Mas a Andreia, porque também é sentido de humor, enganou tudo e todos. E não se limitou a nascer menina. Nasceu princesa.