Voltei a sentir ciúmes

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Parte I

Hoje, quando abri o facebook, vi outra foto tua com aquela rapariga. Senti ciúmes. Não é que vocês tenham alguma coisa… Mas já são muitas fotos.

Sei que tens esse jeito amoroso com as pessoas. Foi assim que me apaixonei. E é assim que confundes as pessoas. Espero que não confundas também essa rapariga.

Pensei que já te tinha esquecido. Estava errada. Voltei a sentir ciúmes. E com isso voltou uma imensidão de sentimentos e de quereres. Voltei a sentir saudades tuas.

Continuo a tentar perceber as minhas falhas. Questiono-me se é a minha maturidade que assusta, se é a minha independência e liberdade que afasta ou se é o meu desejo de querer muito que sufoca.

Tenho consciência de que, quanto mais velha, estou menos tolerante. Sei muito bem o que não quero numa pessoa e numa relação a dois. Já não perco tempo com namoros que sei que não levam a lado nenhum. E, por vezes, o amor já não basta! Sei que estávamos em registos de vida diferentes. Eu já sei bem o que quero e tu ainda tens tanto para viver. É válido, é justo e respeito.

Só não queria sentir ciúmes. Só não queria sentir saudades.

Parte II

Já passaram 24 horas desde que me deste a notícia. Finalmente, consigo escrever sobre as lágrimas que chorei, sobre a dor que senti no meu coração, sobre o nó que senti na garganta, sobre o quanto me foi difícil respirar.

Senti ciúmes e, afinal, com razão.

Ontem, vieste dizer-me que se estavam «a conhecer, a aproximar e a ganhar cumplicidade». Tal como aconteceu connosco. Lembras-te? Querias ser tu a dizer-me, antes que viesse a saber de outra forma.

Não dormi nada.

De manhã, deparo-me com outra fotografia no facebook e não restam dúvidas. Percebi por que motivo me vieste preparar. Afinal, já estão juntos.

Passei a manhã a chorar. Com o coração a doer, num sufoco insuportável. É demasiado doloroso!

Sabes o que me magoa? Saber que eu não fui suficiente. Saber que estás com uma pessoa que conheço. Mais, de quem até fui amiga e confidente nos seus desabafos. Saber que agora é ela que te tem.

Mas sabes o que magoa mais? A destruição desta esperança que ainda sentia, quando recebia algum sinal teu na minha vida. Eras só tu a ser amigo, a ser simpático.

Hoje, o meu coração dói, os meus olhos choram, sinto um nó na garganta e não consigo respirar… Porque pior do que não te ter, pior do que o meu amor não ser correspondido, pior do que tudo isto, é o teu coração pertencer a outra. Aliás, pior ainda é já não ter esperança de que, um dia, o teu coração me pertença a mim.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.