Sinto que não pertenço aqui

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Olho em redor e sinto que não pertenço aqui. Ou então exijo demais. Talvez ambicione a impossibilidade da perfeição. Não sei. Sei que sinto que não pertenço aqui.

A um mundo em que as pessoas se amam por conveniência. A um mundo em que fogem ao primeiro sinal de que vai correr mal. A um mundo em que poucos lutam por aquilo em que acreditam.

Já acreditei no amor. Já acreditei que éramos capazes de lutar e não fugir. Já acreditei! Agora, não acredito e sinto que não pertenço aqui.

O amor. Aquela força da natureza virou banalidade. Dizer que se ama tornou-se tão fácil que praticamente já não lhe tem nenhum sentimento associado. E é triste. É triste porque há quem realmente ame. Eu amo. Mais do que devia. Mais do que me devia ser permitido. É por amar tanto que queria pertencer a este mundo. Em que se ama e não se ama à mesma velocidade que a luz do fósforo se apaga. À mesma velocidade a que as nuvens vêm e vão. Eu amo à velocidade dos dias, das horas, dos minutos e dos segundos.

Não sei quando deixarei de te amar. Por isso é que sinto que não pertenço a este mundo.

Tu pertences.

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RAQUEL FERREIRA, a engenheira
É de uma aldeia perdida no norte do país e ambiciona ser mestre em Engenharia Civil. No percurso, apaixonou-se pelas palavras e escreve. Sobre tudo. Sobre nada. Ainda não é tudo o que quer ser, mas luta todos os dias por isso.