Até ao fim dos dias

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Não tenho grandes certezas na vida. Cada dia, ela mostra-me e ensina-me que não há certezas, que de um instante para o outro tudo é mutável.

Não faço projeções para o futuro. Aprendi a viver um dia de cada vez. Aprendi a tirar de cada dia o melhor que ele me pode dar. Aprendi a improvisar. Aprendi a não deixar palavras presas.

Não sei onde vou estar, como e com quem, daqui a dois, cinco, ou dez anos. Não possuo nada. Não ambiciono muito. Não sou de lugar nenhum… Sou apenas dona de mim mesma.

Mas conservo em mim uma única certeza, um único desejo: escrever!

Sei que é assim que quero acabar os meus dias. Sei que é isto que quero que me acompanhe. Sei que é a única coisa a que posso chamar minha. Vou pela vida a escrever sobre o amor, a deixar em palavras o único sentimento que se mantém inalterado dentro de mim, o único que me embala os dias, que me leva em braços, que me inspira e me faz respirar, que me ilumina os caminhos escuros, que me preenche os espaços vazios. E há tanto para escrever sobre o amor, e há tantos amores sobre os quais escrever!

O amor que dou, o amor que recebo, o amor além da morte, o amor que não se aprende nem se ensina, o amor que nasce em nós e viverá além de nós. O amor carnal, o amor espiritual, o amor crente, o amor resistente, o amor guerreiro, o amor pacifico…

A vida tem-me sido fértil em histórias. O coração tem-me sido generoso nos amores.

É isto que quero fazer, preencher folhas em branco com histórias, manter vivo nas minhas palavras o amor que bombeia o meu coração… Até ao fim dos meus dias!

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ANABELA MATA, a bella
Ela é uma mulher ativa, vegetariana e adepta da vida saudável. Por isso, adora cozinhar, dançar, viajar e, sim, escrever — para ginasticar as emoções. Escreve com o coração: esse, que sente, ama, sofre, é feliz. Adora sorrir. Quase se poderia dizer que ela é a Bella porque é assim que vê a vida.