A missão de cada um nesta vida

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Fotografia © Carina Maurício | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Carina Maurício | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Por vezes, aquela amiga, que admiras pela sua confiança, sofreu bullying na escola.

Por vezes, aquele familiar, que te encoraja pela força que ostenta, passou por uma depressão.

Por vezes, aquela senhora da loja, que te atende sempre com simpatia e com um sorriso no rosto, foi vítima de violência doméstica.

Por vezes, aquele homem, que vai lá a casa resolver algum biscate, já passou fome.

Por vezes, aquela mãe, que vês no parque e que admiras pela forma como ama o seu filho, passou por tratamentos dolorosos para conseguir engravidar.

Por vezes, aquela rapariga, que te chama a atenção pela felicidade com que dança, foi violada.

Por vezes, aquela colega de trabalho, que te inspira pela sua coragem, sofreu um aborto.

Por vezes, aquele velhote, que vês no café e que admiras pela sua sabedoria, acabou de perder a sua esposa.

Por vezes, aquela miúda, que vês sempre no ginásio e a quem invejas o corpo, sofreu de anorexia.

Por vezes, aquela pessoa, que está a fazer voluntariado e que admiras pela sua compaixão, está desempregada.

Por vezes, aquela mulher, que tem brilho próprio e que te inspira com palavras de positivismo, lutou contra um cancro.

Por vezes, aquele vizinho, que pensas que tem muita sorte na vida, lutou arduamente para alcançar tudo aquilo que tem hoje.

Por vezes, devemos parar de nos queixar.

Por vezes, devemos parar de pensar que o mal só nos acontece a nós.

Por vezes, devemos parar de julgar os outros.

Por vezes, a pessoa que está ao nosso lado está a passar por circunstâncias difíceis, por situações complicadas.

Cada pessoa vive o que tem que viver. Cada pessoa tem uma missão nesta vida.

Por vezes, a pessoa que está ao nosso lado só precisa de um ombro para chorar, de um amigo que a oiça, de uma palavra de incentivo, de um abraço sentido.

Não julgues. Não invejes. Não critiques.

Porque nós, por vezes, simplesmente desconhecemos a realidade do outro.

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.