Sabes, eu amo-te

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Podia dizer-te que te amava. Pois, podia. E essa é a resposta que tu julgas ser a mais acertada. A certeza que todo o mundo julga ter. Só que não é essa a minha verdade. A verdade é que te amo e não te amo.

Agora, ficaste confuso, não foi? Também eu. Todos os dias fico confusa, quando penso em ti. É verdade que existe em mim um sentimento especial. Um sentimento que carrego no coração, sem que ele me pese. Pelo contrário, dá-me tanta leveza que, quando penso em ti, só me apetece voar. Só ainda não descobri que nome dar a este sentimento.

Não é amor o que sinto. Não existe aquela quimica da paixão. Não despertas em mim o desejo carnal. Não há aquele desejo de que sejas só meu. Não me arrepias a pele quando me tocas. Percebes? Eu amo-te e não te amo. Preciso de encontrar a palavra certa para definir o que sinto.

Gosto que me olhes com esse olhar maroto, que eu adoro. Gosto quando te sentes feliz e me beijas o sorriso. Quando agarras a minha mão e a beijas com gratidão. Quando me abraças e me sinto protegida. É que, nesses momentos, perco a minha razão. Procuro por uma explicação para o que sinto, e ela não aparece.

Amo-te e não te amo. Parece confuso, mas é a realidade.

Há uma vibração que vem de ti e que me alimenta o coração. Sem que seja paixão. Transformaste o meu mundo. Pisaste o meu chão. Mostraste-me o outro lado da vida. Cultivaste no meu jardim a tentação. Eu recebi-te de braços abertos. Encostei-me no teu peito. Um abraço que me deu conforto. Um abraço que me fez criar asas. Um beijo que me deu esperança. Um olhar que me deu coragem.

Talvez seja isso. O que nos une é a gratidão.

Eu sei que tu estás sempre aí para me dares a mão. Eu estou sempre aqui para te confortar com o meu abraço. És o meu anjo da guarda. Um anjo maroto, que, por vezes, me empurra para a tentação. Aquele malandro carinhoso que me mostra o caminho da perdição.

Sabes, eu amo-te.

Amo-te como só os amigos sabem amar. É assim que eu te amo. E este amor nunca irá acabar. O teu lugar no meu coração é eterno. Ninguém o conseguirá roubar. Por mais amores que passem pelas nossas vidas, tu serás sempre meu e eu serei eternamente tua.

É assim que eu te amo…

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ANGELA CABOZ, a miúda gira
Nasceu em Tavira há 49 anos. Desde a adolescência que é uma apaixonada pela leitura, pela escrita, pelo cinema e pela música. Escreve sobre sentimentos e, nas palavras, reflete a maneira de ver e de sentir o mundo. Em 2014, realizou um sonho: a publicação do seu livro «À procura de um sonho». Desde então, tem participado em várias obras coletivas.