Corrida contra o tempo

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

O tempo deve achar-me muito divertida. Só pode ser isso, porque parece que ele está a brincar comigo. Decidiu ver qual de nós era o mais rápido e qual o mais resistente. Por isso, estou, neste preciso momento, numa corrida contra o tempo.

Para meu desagrado, parece que os relógios são imunes ao meu olhar furioso. Por isso, e para me provocarem ainda mais, continuam a rodar os seus ponteiros sem parar, dizendo-me que o fim está cada vez mais próximo. O fim? Sim, o fim. O fim do dia. O fim do fim de semana. O fim das férias. O fim de tudo o que me agrada, incluindo o fim de mais uma noite que, devido à falta de tempo, passou a ser mais uma das mil e uma noites mal dormidas. Mais uma das muitas noites em que foi arruinada pelo, terrivelmente incessante e ruidoso, despertador.

O tempo está a correr cada vez mais rápido, obrigando-me também a apressar o meu passo. Tenho de fazer tudo cada vez mais depressa. Eu e todos os que me rodeiam corremos cada vez mais e temos cada vez menos tempo. Não há tempo para falhar. Não há tempo para parar. Não há tempo para refletir. Tudo tem que ser automático, instantâneo e perfeito.

Estou cansada. Preciso de parar. Estou a ficar sem fôlego. Porém, tenho que continuar esta louca e interminável corrida, senão sou deixada para trás, abandonada a meio do caminho e, nesse momento, ninguém terá tempo para me ajudar, para me resgatar. Ficarei para sempre perdida, entre as horas, vendo o balançar constante do ponteiro dos segundos.

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INÊS DINIZ, a teimosa
Ela é estudante. E tem apenas 14 anos. Gosta de fazer trabalhos manuais e é uma apaixonada pela leitura. Gosta muito de crianças e, por isso, quer ser Educadora de Infância. Se lhe pedirmos para escolher uma frase, com a qual se identifique, é esta: «Tu não és tu, quando tens fome.»