Somos indecifráveis

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Fotografia © Greg Rakozy | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Greg Rakozy | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Tentei, tantas vezes, decifrar-nos. Há qualquer de coisa de misterioso na nossa existência. Na minha. Na tua. Na nossa.

Sempre quis descodificar este sem fim de sentimentos que nos assaltam o coração, quando estamos apaixonados. Mas esta máquina de sensações é uma incógnita. Como é que surge a paixão? Como é que, num instante, o nosso coração acelera os batimentos cardíacos? Há sensações que não têm explicação. Tu não tens explicação. E eu, contigo, sou completamente indecifrável.

É que eu só queria compreender a razão dos acontecimentos da nossa vida. Porque será que nos cruzamos naquele fim de tarde junto ao rio? Seria um fim de tarde frio, só para nos podermos enroscar nos casacos um do outro? Estaria um vento medonho, só para que percebêssemos que a única forma de nos aquecermos era beijando-nos?

Quanto mais questiono, mais desorientada fico. Porque o Homem sempre tentou encontrar explicações e essa tentativa do impossível nos está nos genes. E a verdade é que, ao fim de tanto tempo, ainda não encontrou respostas para nada. Absolutamente nada.

Porque há sensações que não tem explicação e só por isso é que vale a pena vivê-las.

Tu não tens explicação e só por isso é que vale a pena viver-te.

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RAQUEL FERREIRA, a engenheira
É de uma aldeia perdida no norte do país e ambiciona ser mestre em Engenharia Civil. No percurso, apaixonou-se pelas palavras e escreve. Sobre tudo. Sobre nada. Ainda não é tudo o que quer ser, mas luta todos os dias por isso.