Pedaços inteiros

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Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Ilustração/Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Um dia, acreditei-te, deixei-te derrubar todas as minhas fortalezas. Fiz-me vulnerável perante ti, deixando-me apanhar na tua teia de mentiras. Trespassaste-me o coração e iludiste-me com palavras que nada tinham de verdadeiro. Fui-te vendo a quebrar-me em mil pedaços, de todas as vezes que ias e de todas as vezes que eu te permitia que voltasses.

Não te culpo. A culpa também foi minha, por o ter permitido.

Tentas, agora, derrubar-me com esse poder que sempre tiveste sobre mim. Jogas ao vento essas mesmas palavras. Fazes o mesmo jogo. Mas tudo o que me lanças, agora, para me teres de volta já não é suficiente. Agora, todos os meus pedaços estão juntos e mais fortes. Sobrevivem aos vendavais que, em vão, tentas usar para me demover.

Um dia, tiveste uma parte de mim, mas não vais ter mais.

Tenho, agora, em mim a força de um leão e a certeza de seguir em frente com a sua garra e determinação. Posso cair, mas irei sempre levantar-me. Posso não vencer todas as vezes, mas irei morrer a tentar!

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HELENA ISABEL, a misteriosa
Nasceu em dezembro de 1983. Diz-se uma «exploradora da vida». Gosta de ler, de escrever e de pintar. Não da pintura dos guaches e dos pincéis. Mas da pintura com as palavras. É apaixonada, irreverente e sensível a tudo o que a rodeia. Prefere um segundo de realismo a uma eternidade de sonhos.