A amizade é um amor que não se perde

Texto vencedor do Desafio da Amizade

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Fotografia © Julia Caesar | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Julia Caesar | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

A vida tem formas estranhas de nos abanar, de nos fazer parar para pensar.

Éramos inseparáveis. Passávamos pela adolescência com as certezas inabaláveis de quem tem uma vida inteira pela frente, com a sabedoria própria de quem acha que já aprendeu tudo, com as dores gigantes que se pensavam ser as maiores, com a irreverência que só os verdes anos nos permitem ter. Foram amores e desamores, aventuras e desventuras, escolhas de vida e para a vida… Foram anos de verdadeira e pura amizade!

Simultaneamente, foram também alguns dos momentos de maior dor na minha vida… E eles estavam lá, em todas as horas, em todos os momentos, em todas as lágrimas que chorei. Eram mais do que amigos. Eram família. Eram pessoas que, como eu, eram feitas de amor e amor era o que tinham para dar!

A vida voltou a juntar-nos pelos piores motivos — motivos que se repetiam e nos juntavam passados 15 anos! Estávamos ali, juntos na dor, como já tínhamos estado… Estávamos ali para fazer o que sempre fizemos: mostrar o nosso amor!

Quis lembrar-me de onde nos perdemos, por que motivo as nossas vidas seguiram rumos diferentes… Não me consigo lembrar em que parte do caminho me desviei, em que parte da vida deixei de ter tempo e espaço para aquela que foi a minha família durante a adolescência, durante uma parte substancial da minha vida. Senti vergonha. Vergonha por permitir que pessoas, como aquelas, com as quais me sinto verdadeiramente eu, não estivessem presentes no meu dia a dia.

Os amigos, os verdadeiros, podem não estar sempre juntos, mas estão lá nos momentos importantes. Eu estive lá, mas era importante ter estado em tantos outros momentos! Vi os filhos que ainda não conhecia. Revi pessoas que me acolhiam em sua casa, como se eu fosse mais uma das deles. Voltei a um tempo e a uma parte de mim que não queria ter perdido!

A vida voltou a reunir-nos nos piores momentos, mas quero estar presente nos melhores!

Escudamo-nos na falta de tempo, nas voltas que a vida dá, num milhão de argumentos vazios para justificar que algumas pessoas se percam da nossa vida! A única forma de perda que não controlamos é a morte… Todas as outras são culpa nossa!

Ali, a chorar a morte, a vida mostrou-me que há ainda partes de mim para recuperar, partes de mim que deixei no passado, mas que quero levar comigo no futuro! Ali, a chorar a morte, a vida mostrou-me que há pessoas que são nossas para o resto da vida!

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ANABELA MATA, a bella
Ela é uma mulher ativa, vegetariana e adepta da vida saudável. Por isso, adora cozinhar, dançar, viajar e, sim, escrever — para ginasticar as emoções. Escreve com o coração: esse, que sente, ama, sofre, é feliz. Adora sorrir. Quase se poderia dizer que ela é a Bella porque é assim que vê a vida.