Escolher mudar

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Fotografia © Chris Lawton | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Chris Lawton | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Todos nós, de uma forma geral, somos avessos à mudança. Todos gostamos de sentir que controlamos o que se passa à nossa volta e que já sabemos o que vai acontecer, que não vai haver surpresas. A nossa zona de conforto é isso mesmo: a certeza, ainda que, às vezes, dolorosa, de sabermos o que aí vem.

O problema acontece quando este conforto se torna difícil de suportar, levando-nos a um estado de apatia perante a vida, muitas vezes considerado como normal e de acordo com o que é esperado de nós.

A maioria das mudanças não é escolhida por nós. Elas são-nos impostas, muitas vezes, da forma mais difícil. E isto acontece porque nós deixamos. Porque, quando tivemos a oportunidade de mudar, escolhemos não o fazer. Escolhemos ficar na mesma relação, no mesmo trabalho, na mesma amizade, só porque dá menos trabalho, mesmo já não fazendo sentido. E, quando nós não escolhemos, a vida escolhe por nós.

Escolher mudar alguma coisa é difícil. Obriga-nos a ir por um caminho que não conhecemos, a falar com pessoas que nunca vimos, a experimentar coisas completamente diferentes. Mas imaginem o quão bom isso pode ser. Imaginem que amanhã decidem seguir por outro caminho e conhecem um local lindo que sempre ali esteve, mas que nunca tinham visto. Imaginem que conhecem uma pessoa nova que vos toca de uma maneira que mais ninguém tocou. Imaginem as experiências novas que podem viver e a quantidade de borboletas que podem voar, sem controlo, na vossa barriga. Imaginem as infinitas possibilidades que o mundo pode oferecer, se decidirem fazer qualquer coisa diferente.

Na maioria das vezes, nós não decidimos mudar. A vida decide por nós. Mas, quando aceitamos essa mudança, percebemos o quanto podemos aprender com ela, e, principalmente, que podemos ser nós a fazê-la. Não temos que ficar à espera que algo mude. Podemos ser nós a tomar as rédeas da nossa vida e depois deixarmo-nos surpreender com tudo o que pode vir. Porque a mudança pode ser boa. Basta que tu o permitas.

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DIANA ROSA, a viajante
Tem 34 anos. Trabalha na área financeira, mas não é isso que a move. A grande paixão — aquilo que a faz vibrar — são as viagens: pelo mundo e pela vida, descobrindo novos lugares, experiências e emoções. Gosta da natureza, de ler, de praticar yoga e de pessoas. Busca ser feliz e realizar sonhos. E este desafio é um passo, inesperado, dado nesse sentido.