Ama-me quando menos merecer

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Fotografia © Adriana Velásquez | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Adriana Velásquez | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

«Ama-me, quando menos merecer.» Li isto algures, e achei que fazia todo o sentido. Amar quando as coisas não estão bem. Amar quando alguém erra. Amar quando estamos maldispostos. Amar quando estamos cheios de trabalho. Amar quando os ventos sopram em direções erradas. É tão difícil. Essa parte, sim, é a derradeira prova de amor.

Fácil é amar quando os sonhos são cor de rosa, quando não existem nuvens no céu, quando o sol brilha, quando a brisa está favorável. Amar assim é fácil. E depois? Quando os problemas surgem? Quando o inverno chega? Quando as lágrimas tendem a cair? Quando existe um fardo a ser carregado? Nessas alturas, estamos lá? Quando o orgulho tende a aparecer? Quando há desentendimento, discussões?

Já cantava Rui Veloso: «Toda a alma tem uma face negra. Nem eu, nem tu fugimos à regra. […] Se resistir à treva, é um amor seguro, à prova de bala, à prova de tudo.»

É fácil amar, quando nos oferecem tudo: sorriso, sonhos, unicórnios e estrelas. Difícil é amar no meio da tempestade, quando a água entra no barco, quando as nuvens ditam que vem trovoada.

Amar é uma tarefa para corajosos. Para quem se atreve a dar, para quem tem a ousadia de se ver além de si mesmo. Amar alguém é uma prova, uma lição. Deve-se amar por um todo. Pelos dois lados da mesma moeda. Pelo dia e pela noite. Pelo bom e pelo mau. E aí, sim, é um amor à prova de bala, à prova de tudo.

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SOFIA ALMEIDA, a professora
É feita de sonhos, de saudades, de amor. É feita de coragem, de abraços, de risos e de gargalhadas. É feita de bom humor e de algum mimo também. É feita de uns dias melhores e outros assim assim. É um pouco do que lê, do que vê, do que ama, do que guarda. É também um pouco daqueles que ama, daqueles que ouve, daqueles que estão aqui, bem dentro, no seu coração. É feita de algumas fraquezas, algumas conquistas, alguns desafios. É feita de um amanhã, de um hoje e de um ontem, que já passou, mas que faz ainda parte de si. É a Sofia.