Tu podes tudo! Tu és força: a tua força!

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Fotografia © Julian Jagtenberg | Cartaz © Laura Almeida Azevedo
Fotografia © Julian Jagtenberg | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

A tua força é maior do que alguma vez imaginaste. Se alguém te previsse o futuro, jamais te imaginarias a passar por tudo aquilo. A tua força traz-te de pé para todo esse turbilhão de problemas. Já paraste para pensar? Já paraste para pensar em quão forte tu foste?

Já paraste para pensar naquele dia, em que o mundo desabou em cima da tua cabeça, quando perdeste a pessoa que era um dos teus abrigos? Deixou-te — e a este mundo — e foi fazer uma festa no céu! E quando pensaste que não te irias levantar da cama, no dia a seguir, mas tinhas uma força superior que te empurrava para fora de casa e para dentro dos problemas? E, quando nem sequer te conseguias levantar, já paraste para pensar em quantas vozes ecoaram ao teu ouvido, interrogando-te: «Porquê a mim? Porquê eu?»

Já pensaste no dia em que abandonaste aquele trabalho, porque simplesmente já não o querias mais para ti, abraçaste a colega que te pedia para não ires e disseste: «Tenho de ir. É a vida. Ficarás bem…» Toda uma etapa, dedicada àquele trabalho, àquelas pessoas e àquele sítio, tinha desaparecido. E tu? Ficaste como uma rocha, impregnada naquele solo minado. Ficaste lá! Pegaste em punho o maior escudo que tinhas na casa da tua mente e travaste a batalha no pior campo de sempre! Lembras-te? E conseguiste.

Lembras-te daquele dia? Choraste tanto quando a tua pessoa se foi. Sim, aquela pessoa que escolheste para o resto da tua vida, aquela pessoa que te fez confidências secretas, aquela pessoa que te levou ao rio numa noite de luar e ali ficaram a conversar sobre o futuro. Tantos planos foram traçados. Tantos panos mágicos foram lançados ao mar em forma de promessas a cumprir. E ela? Deixou-te só. E tu? Ficaste!

Lembras-te daquele amigo que te abandonou na pior fase, naquela batalha que tinhas de travar, bateu com a porta e levou a chave, atirando-a ao mar, mas ao mar mais profundo de onde sabias que a chave jamais voltaria?

Lembraste do dia em que tinhas um encontro com mais de 200 pessoas, que tinhas de gerir, para as quais tinhas de dar o testemunho de toda aquela experiência pouco cintilante e pouco sarapintada de purpurinas? A experiência pela qual tinhas passado. E tinhas de gerir aquilo tudo, e tu estavas de rastos. A tua alma estava tão exausta, estava fechada para balanço, mas aquelas pessoas precisavam de ti. E tu? Estavas lá!

Lembras-te?

Não te lembres só do cabo das tormentas por onde tiveste de passar. Não te lembres só das encostas rochosas e íngremes que tiveste de escalar. Não te lembres das fitas cor púrpura que te amarraram os momentos, o respirar… a tua vida!

Lembra-te da tua força! Conseguiste chegar ao pico mais alto do universo, não conseguiste? Ouviste bem? És uma força da natureza. És uma pessoa abençoada. És a luz ao fundo do túnel, do teu túnel!

Conseguiste ultrapassar, apesar de difícil, mas conseguiste! Nunca te esqueças da imunidade que tens, se acreditares em ti. Nunca te esqueças que podes ser o escudo da pior tempestade de sempre!

Tu podes tudo! Tu és força… A tua força!

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DORA NUNES, a Cinderella
Tem 37 anos e vive em Ponte do Sor — uma «cidade alentejana», diz, «de gente de alma gigante». Trabalha como administrativa num lar de idosos e canta numa banda. Duas terapias que a fazem sentir-se feliz. A escrita surgiu na adolescência. Era uma miúda tímida, com os medos e os anseios tão típicos da «idade do armário». Na escrita, libertava-os, soltava-se. Um desejo? Que cada palavra sua toque o mundo de quem a lê. Sente que a sua missão é ajudar os outros e acredita no lado bom de todos nós. Quem é ela? É a nossa Cinderella!